quinta-feira, 30 de julho de 2009

Saravá, Jorge da Capadócia

“Jorge sentou praça/ na cavalaria/ eu estou muito feliz/pois Jorge é da minha companhia”. Meu escrito de hoje vai prum amigo de fé lá de Salvador- o Jorge Negão- guia turístico excelente, torcedor fanático pelo “Leão da Barra”(Vitória) e conhecedor do Pelourinho na palma da mão. Se existe alguém gentiboa no mundo, Romário que me perdoe, mas Jorge é o cara.
Ontem(ah!hoje no cu da madruga) eu narrei para minha estrela como é que Jorge me carregou para a ilha dos Frades, no fundo da baía de todos os santos e me transformou em ogã de um terreiro grande que tem lá. Descobri um monte de coisa a respeito de sonhos, cheiros e comportamentos, coisa muito extensa para ser contada agora e dessa aventura eu voltei diferente. Comecei a achar que ressentimento e mágoa era como uma indigestão que não termina e descobri que Nietzsche achava a mesma coisa.
Mas a coisa que me marcou mais lá foi descobrir que eu sou um kundá, ou seja, membro da família elefante, que tem um comportamento semelhante ao sagitário do horóscopo careta, que eu sou( sou de 19 de dezembro)na realidade. Segundo a história que eu ouvi na ilha, a vida do kundá é cheia de altos e baixos por ele não perdoar absolutamente nada nem ninguém. E eu sou assim mesmo. Fazer o quê? Entrou na listinha? Fudeu, maninho.
Foi nessa que dei adeus a mágoa e ao ressentimento, além de ter jogado na lata de lixo do pensamento uma série de coisas que me amofinavam e eu não resolvia. Pois bem, não resolvi mas dei um basta e mudei de astral.
Outra história maluca que eu ouvi por lá foi a de um terreiro mais elevado, freqüentado pelos altos iniciados e onde as vestes dos orixás dançam sozinhas( sem “cavalo” vestindo.”cavalo” é gente no jargão). O Djalma Correa( percussionista) há muito tempo já tinha me falado dele e disse que o terreiro ficava perto de Santo Amaro. Quem já foi até lá foi Gilberto Gil.
Aí, tava sem sono e resolvi ficar acompanhando minha estrela pelo céu até Aurora tirar a carruagem de Apolo da Garagem. Dei Bye Bye a ela e fiquei prestando atenção no ruído que o sol faz quando nasce. Quem não ouve o ruído do sol não entende porque a gente precisa ver a luz do luar. Eu ouvi isso de um feiticeiro Inca lá perto de Urubamba. Ricardo, meu primo e o Pedro Lauro- que tava viajando com a gente pelo altiplano, tinham mastigado peyote e resolveram tomar banho de cachoeira numa água que tava mais gelada que cu de pingüim, meu irmão! Tava um frio do capeta e eu, também doidão, vendo eles tirar a roupa para entrar na torrente. Eu só falava, “cês vão se arrependê”. Essa história eu conto depois.

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