terça-feira, 7 de julho de 2009

A Hora e a Vez do Samba 2

Ontem, mandando um emeio para a amiga Dalva, falei prela de um amigo comum nosso: Adelzon Alves. Adelzon, apesar do sotaque carioca e do jeitão sambista, é que nem Bezerra da Silva. Chegou no RJ e incorporou o Orixá que mora no Cristo Redentor. Quem não sabe que ele é Paranaense, lá de Cornélio Procópio, tem a certeza que a cegonha deixou o hômi na Serrinha.
Adelzon foi o primeiro grande amigo da madrugada, encarando o microfone da Rádio Globo logo após o redator-chefe e indo até o cu da madruga. Tremendo vozeirão, Adelzon foi noticiarista na própria Globo e ficou anos ao lado de Roberto Figueiredo, Edmo Zarif, Líbano Duarte e muito mais que grafitavam o éter do Rio com noticiário de meia em meia hora.
Foi o primeiro a privilegiar a música Brasileira de raiz no Rádio. Naquela época de repressão, ninguém queria ir contra o disposto pelos Militares, muito menos dono de rádio, pois a radiodifusão era uma concessão a título precário e os milicos já tinham dado três grandes exemplos de cassação: A Mayrink Veiga(RJ), a Marconi e a 9 de Julho(SP). Mesmo assim, Adelzon deu voz a arte popular e alguns descontentes. Exemplo? “Eu vou para o Nepal”( Som Imaginário) só tocava no Adelzon.
E nessa, Adelzon levava as figuraças do Samba, intérpretes e compositores para dividir com ele o microfone, contando casos e historinhas das mais hilárias. Zé Dedão, Marimbondo, Dicró e Elias do Parque eram figurinhas carimbadas no álbum de atrações do programa.
Uma noite, Adelzon resolveu que Candeia ia fazer o programa com ele. Amigo do ex-policial- paraplégico devido a um tiro que levou de um assaltante pelas costas, lá no viaduto de Madureira- Adelzon ligou para a casa dele, acertou tudo e contatou o Alcione( nada a ver com a cantora)- divulgador e responsável pela promoção específica desse catálogo na WEA Discos- para que este catasse o Candeia e levasse o sambista a te a Rua da Glória, nos estúdios da Globo.
Alcione, irmão mais novo do falecido trumpetista Oberdan Magalhães( Banda Black Rio, os Simonautas, Vitória Régia, etc) era tão ou mais maluco que o soprador de corneta. Enquanto Oberdan soprava, Alcione aspirava, fumava e bebia todas que se tem notícia. E nessa noite específica, Alcione fraquejou, avançou o sinal e, em vez delevar o Candeia pru Adelzon, deu uma capotada daquelas.
Como ao chegar no estúdio Adelzon não encontrara ninguém, escolado, ao abrir o programa, não anunciou nada e começou a fazer a coisa como se estivesse sozinho e a pé, sem nada para apresentar a não ser abobrinha para lá e abobrinha para cá. Dez minutos de Programa no ar, Adelzon abre o microfone e desanuncia, “Essa é pro Alcione, que tá me devendo uma vela para botar na Candeia” e entra “Onde Anda Você” com o Vinicius. E nessa, tome abobrinha, mais música. Uma hora, já meio puto, Adelzon manda um recado direto: “Alcione, tu ta devendo”. Assim que saiu do microfone, ligou para a casa do Candeia e este atendeu, desesperado e foi falando que tava esperando o Alcione desde as onze e meia, já tinha ligado para a a casa dele e nada.
Adelzon, malandrão, fez sinal a Sorrell(operador de áudio) para que este colocasse a conversa de fundo e fez Candeia contar a historinha do Alcione toda de novo. Só aí é que ele avisou ao Candeia que este estava no ar e aí começaram a conversar sobre o disco do compositor e intérprete(“Ao Povo em Forma de Arte”), que era lançamento recente da WEA e aí o programa se desenrolou e eles ficaram no telefone mais de quarenta minutos, tricotando todas que tinham direito.
Quanto ao Alcione, essa vacilada custou-lhe o emprego na WEA. Mais tarde, em outra vacilada-dessa vez na ARIOLA- nosso amigo se envolveu em desvio de lotes de discos para sebos e lojas, sendo esses lotes de discos vendidos a 30% do preço de rosto e sem fatura, prejudicando todo o departamento de vendas e artistas da gravadora. Fez disso uma prática continuada. Nosso amigo fazia o gênero eletro-funk e tinha um ego bem maior que os dreadlocks que ostentava e, devido a isso, foi fotografado para a capa de uma coletânea do gênero que a gravadora ia lançar. Essa foi a sua perdição.
Uma tarde, Getulinho- vendedor- tava passando por um sebo da rua 20 de julho quando viu a coletânea exibida na vitrine. Getulinho tava com a capa no catálogo de lançamentos do mês e estranhou um sebo com o material. Entrou na loja e, macaco velho, foi olhar nas estantes. Só da coletânea ele contou 35. De outros lançamentos mais uns 200. Aí, Getulinho foi falar com o vendedor, perguntando quem tinha trazido aquele material. “Ah! Esse cara aqui, ó” e mostrou a foto do Alcione na capa. Resultado: Deu polícia na área e nosso amigo foi banido do meio. É isso que dá ser esperto, né mezz?????

Um comentário:

Cris V disse...

Você adivinhou...Ia te pedir [ra escrever sobre o Adelzon. Que figuraça era ele, em? E que história essa a do Alcione!
Bjs amassaladores!
Dalva