Hoje é Domingo, 7 de dezembro de 2008. Há 67 anos atrás, também domingo, eram 7h55 em Oahu, quando a Marinha Imperial Japonesa atacou a Ilha Ford, em Pearl Harbour. A primeira vaga, vinda da esquadra combinada, 360km ao norte, tinha 183 aviões. Os Norte-Americanos foram pegos de surpresa. Foi assim que teve início a primeira e única guerra nuclear da história contemporânea.Há 40 anos atrás, o Brasil foi encarcerado pela ditadura no Ato Institucional Número Cinco. A atitude era previsível e os militares usaram como pretexto um discurso, considerado ofensivo, do então Deputado Márcio Moreira Alves. Os fatos que se seguiram foram inenarráveis e o Exército Brasileiro mostrou, com extrema crueldade, para o que sempre serviu, em 146 anos de história: perseguir e exterminar a própria população do país que, em teoria, defendia externamente. A Marinha e a FAB não fizeram por menos.
Datas como essa fazem a sociedade exorcizar seus males, numa catarse de homenagens, denúncias, despachos e banhos de descarrego coletivos, reverenciando-se ou difamando-se ratos, homens, figuras públicas e grandes homens em qualquer função.
Apesar da série de desmentidos, com ou sem provas, verdadeiras ou fictícias, a sociedade norte- americana queria um Pearl Harbour para entrar na guerra, da mesma forma que a então sociedade Brasileira quis o AI-5 como uma forma de ganhar o conflito de gerações que ia perder. A atitude militar só fez adiar o desfecho.
Hoje, o conflito de gerações é outro. Também político, mas em outro campo. Trata-se do continuísmo de idéias versus a revolução tecnológica. O continuísmo de idéias na indústria cultural viu o CD ser derrubado pelo MP3- fato que está mudando toda a regra do negócio no comprar e vender música. O equipamento barateado trouxe o estúdio de gravação e de TV para dentro da casa do produtor. Hoje, uma banda de garagem pode gravar seu trabalho com a qualidade equivalente a de um estúdio tradicional, queimando etapas entre produção e consumo, numa maneira impensável há 20 anos atrás.
Não existe mais diferença entre original e cópia. Existe apenas a diferença entre analógico e digital. No mundo digital tudo é original. Cópia mal feita é passado remoto.
O continuísmo de idéias quer inventar crime onde não é possível criminalizar nada. Na Rede Mundial, também conhecida como Internet. Lá tudo é virtual. Ainda mais agora, na fase wireless.
Como diria o Rogério Gonçalves, ele vai perpetrar uma série de crimes na rede, com um laptop, em plena Avenida Atlântica, de frente para aquele praião de Copacabana, usando a rede pública e tomando uma cervejinha num bar do calçadão. Conforme suas próprias palavras, um pivete vai ser bem mais rápido para roubar o laptop dele do que a polícia em achá-lo e configurá-lo como criminoso,baseado na lei que o PL 1999 do Senador Eduardo Azeredo quer criar.
Esse PL é o carro-chefe da reação de um continuísmo de idéias existente no controle social reacionário, que quer se apropriar de algo que não consegue compreender, da mesma forma que o então continuísmo massacrou a cultura e a civilização no conflito de gerações de 68.
Repetindo mais uma vez: espero que o Presidente da República ouça a voz da sensatez e vete o projeto de lei 1999, banindo de vez esse fantasma corporativista do cenário político. Chega de controle. Vamos respirar um pouco de liberdade e direito a expressão.

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