quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quando dois Mundos Colidem

Esses dois mundos estão presentes a nossa vida diária. Um deles vai perdendo o controle da situação e quer, com todas as forças, que a sociedade retroceda, para poder dirigi-la e orientá-la. O outro, embalado pelo barateamento, pela simplificação e pela novidade causada pela revolução tecnológica, não está nem aí.
Esse admirável mundo novo iria causar inveja em Aldous Huxley. Ele perdeu o trem para as estrelas e a janela para o virtual, hoje tão acessível e antes só presente nas páginas de visionários como ele ou em revistas de ficção científica.
O mundo velho ainda precisa de porteiras para limitar o ir e vir, precisa do certo, do errado, do original e da cópia. Este mundo só olha para trás e, para se manifestar, precisa de porta-vozes numa representação teatral absurda, como se alguém possa determinar o pensamento do outro, controlando palavras e obras.
O mundo novo vive entre bits e bytes, entre PDFs e MP3, indo ponto a ponto na procura de material, numa apropriação cultural que reproduz virtualmente o manifesto antropofágico de Osvald de Andrade e seus companheiros de 22, modernistas acima de tudo e modernos na essência de pensamento.
Como diria Fernando Brant, nada será como antes e o amanhã. Quem vive o novo dia não consegue voltar. É a mesma sensação descrita por William Burroughs, do “Junky” que não consegue pensar nem viver como vivia em sua era sem a droga. A novidade incorpora até naqueles que são avessos a ela e que querem cooptá-la como mais um agente da narcose que teimam em viver confinados.
E essa colisão de dois mundos está acontecendo na apreciação feita ao Projeto de lei sobre cibercrimes que o Senador Eduardo Azeredo teima em impingir à sociedade Brasileira. Rejeitado pelo mundo computacional e por uma petição com quase 125.000 assinaturas, o projeto já nasce retrógrado, pois qualquer cracker dotado de tecnologia wireless vai transformá-lo em letra morta num abrir e piscar de olhos.
O porquê da insistência do Senador é o que me deixa com macaquinhos no sótão e pensando em bobagens. Acredito que o Senador Azeredo tenha mais coisa para se preocupar do que ficar insistindo nisso, como garotinho mimado que quer o brinquedo, custe o que custar. E, pelo andar da carruagem, sou de opinião que tudo isso vai lhe custar muito caro.

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