domingo, 21 de dezembro de 2008

11 Dias de Espera

Faltam só 11 dias para 2009. O ano termina com Madonna servindo de material para toda a imprensa dirigida à chiques e famosos tupiniquins. E como ela gosta disso, deve estar se sentindo bem a vontade. Quanto a este que aqui digita, vou entrando no ano 58 da existência, cada vez me sentindo mais a vontade para digitar o que me vier na telha, sem trava de espécie alguma.
Acho que desde que comecei a escrever o que acho e penso a respeito da vida cotidiana, venho me sentindo sem culpa e com a consciência tão limpa como se tivesse passado um detergente bem potente nela. Não sou ansioso e, como tal, vou relax a qualquer parte, não estando nem aí para as consequências. Escrevo primeiro e pergunto depois. Como isso não causa espécie de dano físico nem sofrimento imediato, foda-se.
Tá chegando a hora de repetir minha rotina entra ano e sai ano. Depois do carnaval, escrevo um conto e mando para o concurso do “PROSA & VERSO”. Como sempre acontece, espero até saber que nem passei perto da classificação. Meu QI(Quem Indicou) é fraco e, pelas palavras do colega Janos Biro, não devo fazer parte daqueles que são escolhidos, por alguma razão que não me pertence o direito de saber, de chegar à janela de uma estante de livraria.
Vai ver que não preencho algum requi$ito nece$$ário. Traduzindo, ninguém enxerga um cifrão que seja na minha literatura. Ou então ela é uma merda para eles. Como ela me satisfaz, sou que nem alfaiate de primeiro ano. Escrevo dia a dia, mano a mano. Ele( alfaiate) pega a tesoura e vai cortando o pano.
Escrevo para mim e nas internas desde que fui demitido de meu emprego como jornalista num caderno de cultura de província. Lá todos se achavam right on time com o dia a dia. Só eu é que tinha consciência de estar bem longe desse dia a dia cultural que eles teimavam. Pareciam Bilac e Machado, vivendo uma “saison d´hiver” parisiense em pleno verão do Rio, tomando chocolate quente às tardes na Confeitaria Colombo, com ternos de lã e coletes abotoados. Já imaginaram que transpiração cultural?
Meu suor é outro. É me sentir um estranho numa terra estranha num corpo decadente no qual a vida me encarcera. Estou preso, de mãos atadas, numa camisa de força carnal, sem saída e sem nenhuma luz libertária que possa iluminar o fim do túnel. Vou no escuro até o fim desse texto. A mim, uma entropia além- sózinho, sem ninguém e com a esperança morta. Fim.

Nenhum comentário: