segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

TOYZ FOR BOYZ - capítulo dois

Hoje é dia 22 e quem ainda tem o costume de mandar mensagens natalinas quando envia carta para papai noel manda emeio, né mesmo? Esse negócio de ir ao correio é muito demodê, além da fila do capeta que tu é obrigado a enfrentar. E também fica caro, pois para evitar extravio, tu é obrigado a mandar pelo SEDEX10, para ter certeza que ela vai ser entregue e com uma probabilidade danada de chegar na frente e ser atendido.
Segundo as más línguas, papai noel anda com um problema de overbooking maior que o da Gol e desculpa ele tem prá dar, como crise, pirâmide da Nasdaq, Petrobrás não tem verba pro pré-sal, etc. E se ele lê a coluna da Miriam Leitão, aí é que ele vai ter zilhões de desculpas, colocando até a compra da Brt pela Oi na justificativa dada.
Desde que comecei a usar a rede, eu mando emeio para papai noel. Como ele é virtual para mim desde que eu tinha uns oito anos, a realidade superou a ficção e foi transcender no virtual. Papai noel e um emeio se merecem. E como o emeio sempre sai de um servidor e vai parar no outro, o velhinho não tem desculpa para não acusar recebimento. Pode ser que ele se omita, mas que eu mandei e ele recebeu eu tenho certeza.
O texto de hoje é meio Bloch Editores, pois para me inspirar e escrevê-lo, eu fiz a imagem antes do texto, escolhendo o título entre um e outro. Falando nisso, um bom livro para dar de presente neste natal é “Os irmãos Karamabloch” do Arnanldo Bloch, que conta a história dos irmãos Adolfo, Bóris e Arnaldo – os três picaretas responsáveis por aquilo que virou “Manchete”- a revista que superou “O Cruzeiro” e foi a primeira grande revista semanal Brasileira.
Voltando ao meu texto Bloch, a imagem representa todos os brinquedos que eu quis, gostaria e continuo querendo ganhar por toda a minha vida. Hoje, deixo de lado as motos por motivos físicos e, por ter perdido o movimento de um braço, troco guitarras e baterias por notebooks, laptops e desktops- Um PowerBook metálico, de preferência. O único presente que eu não oponho nenhuma resistência no sentido dele se entregar a mim continuam sendo elas. Se Jesus- o primeiro pedófilo assumido da história dizia “Deixar vir a mim as Criancinhas”, eu – bem mais realista e menos doente, afirmo “Deixai vir a mim as Mulherzinhas”.
A primeira bateria que eu quis ganhar de presente foi uma SuperPinguim branca, igual a do Plínio - um amigo que morava no mesmo quarteirão que eu, no Leblon. Depois foi a Slingerland azul clara do Howard, que estudava comigo na Escola Americana. Ele vendeu a bateria para o Chico, que tocava com o Bruce Leitmann no Outcasts e lá se foi meu sonho pras picas. Depois foi uma Premier azul metálica, do Tiger- outro norte-americano e tive o desprazer devê-lo vender a bateria para o Nico, que foi o baterista da grande fase do Bubbles como banda contracultura da galera no final dos anos 60. Depois de tanto sonho desfeito, fui obrigado a me contentar com uma Gope que fedia a cola de madeira e tinha um jogo de pratos com som de tampa de lata de lixo. Instrumento Brasileiro, êêê instrumento Brasileiro...........
No caso guitarras, a primeira a me fascinar foi uma Fender Jaguar vermelha, que meu amigo Peter Paul Dwyer tinha comprado em Manila( Filipinas). Até em amplificador Brasileiro( Ele tinha um Ipame)a porra da guitarra tinha som. Ela era incrível. Depois o Maninho- amigo de rua- trouxe uma Galanti Italiana da Europa. Também era manêra. Aí o Zulu deixou a Apolo 12 cordas dele comigo e foi nela que eu me acostumei com a guitarra, pois , apesar de canhoto, eu arranhava um violão e tinha transposto alguns acordes e inventado outros e ia levando um som meio barro meio tijolo. Quando John Stoned não voltou comigo de NY, a Ritmo dois preta dele ficou comigo uns cinco anos e era nela que eu tocava o que tinha aprendido na grande maça. “Purple Haze”, “Sunshine of Your Love”, Love me Two Times”, “I´m so Glad”, “Sleepy Time Time”, “Cats Squirrell” e outras faixas psicodélicas da moda.
Minha paixão por motos começou quando eu dei uma volta na bicicleta motorizada que o Marquinhos Plonsky tinha em Teresópolis. Fudeu. Elegi as duas rodas como meio de transporte e comecei a delirar com motorbikes e tudo o mais que eu via em fotos nas revistas especializadas que eu rachava com o Zulu, outro tarado pelo veículo.
A primeira na qual delirei foi com uma Norton 500 bicheira do Heitorzinho da Dias Ferreira. Ela devia dar no máximo uns 80 por hora, mas tinha presença e ronco. E isso era bem mais interessante. Onde ele parava, a mulherada chegava. A aceleração dela era a ejaculada que faltava. Você tinha impressão que elas ficavam molhadinhas de desejo- as motos, de gasolina e as mulheres?.....bem......molhadinhas......
Da Norton 500 para uma Cezepél 250, a queda foi traumática. A moto não andava e ficava mais tempo quebrada que andando. Fiquei com ela uns dois meses e troquei no pau por uma Yamaha 75, já de cinco marchas, mas toda carbonizada e com um efeito pré-ignição mais fedido que cocô de Sharpei. Mas, me conformei e as Harley ficaram só no delírio zen. Zen grana, Zen possibilidade de importar e ponto final.
A primeira mulher que eu quis ganhar de presente foi a Norma Bengell. Tudo que era foto que eu via dela eu cortava e guardava, numa tara em que eu me consumia a olhos vistos e em banheiros trancados. Fiquei nesse desejo dos 11 anos até conhecê-la pessoalmente e intuir que ela tinha calçado 47 espátula, numa frustração que me arrasou ao descobrir que a Sonia Nercessian- que eu também olhava diferente – é que era a namorada da Norma. Porra! Meu mundo caiu bem mais baixo que o da Maysa. Foi meu primeiro porre de desgosto.
Depois veio a Teresinha Drummond, A Anabela irmã dela, A Teresinha do Jornalistas, a Socorro da Cruzada(eu a chamava de Help), uma garota que eu via na praia que depois é que eu fui saber seu nome: Patrícia Travassos.
Dessas até hoje em dia, já passaram pela minha idéia mais de 55.984 mulheres, indo desde Luiza Brunet até a Xuxa e passando por Sharon Tate e outras internacionais estilo Pamela Brandon. Nesses Presentes que almejei, fui muito seletivo, pois nunca quis nenhuma Chacrete, nem Sonia Braga, nem Claudia Ohana e nem Betty Faria. Monique Evans eu também conhecia de esbarrar na rua e , como presente, nunca esteve no meu delírio. Outra que nunca me apeteceu foi Claudia Toller. Já a Claudja Berry.......
Se eu tivesse ganho todos os presentes de natal que quis, garanto que seria bem feliz. Nunca tive inveja no respeito que me diz. Inverto as frases por um triz e ponto final dessa pretensa crônica de um natal menos triste que o passado, quando tava acamado convalescendo de uma cirurgia que acabei fazendo. É isso.

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