Já não se faz mais jabá como antigamente. Nem Jabá de carne seca, nem Jabá de Jabaculê- propina que era entregue ao programador musical de rádio para que este executasse uma música escolhida pelo Departamento Comercial de uma gravadora.O Jabaculê teve seu tempo áureo nos anos 70/80, quando as gravadoras pagavam até para tocar sucesso! É!!!!- sucesso mesmo, fosse a preferida pelo público ou uma das dez primeiras da Billboard. Houve essa época, meus filhos, na qual a faixa escolhida para ser jabazeada não estava na chamada parada de fracassos( precisando de execução para virar sucesso) ou na cesta seção(indo para a cesta de lixo).
Todos os artistas daquela época(anos 70/80) passaram pelo processo. As gravadoras pagaram para tocar Fevers, Clara Nunes, Chico da Silva, Belchior, Caetano, Gil, Bethania, Gal, Marcelo, Roupa Nova, A Cor do Som, Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Chico Buarque e muitos outros, que viraram sucesso sem saber da existência desse “biotônico fontoura”. Houve gente que não conseguiu decolar nem com esse estimulante fazendo parte da estrutura. Maria Alcina e Leila Pinheiro são dois exemplos que me vem a cabeça nesse instante.
Depois do grande escândalo de 78, quando às direções das emissoras promoveram uma faxina, o jabá mudou de forma e passou a vir do jeito que os radiodifusores esperavam. Pelo Departamento Comercial da Rádio em questão. O jabá mudou de nome. Virou promoção. O artista vítima da promoção tinha sua execução trocada por um monte de camisetas promocionais, presentinhos diversos e todo um monte de babaquices.
Essa nova modalidade de jabá virou método de fabricação de sucesso a partir do estouro do rock brasileiro. A promoção ajudou a Legião Urbana a virar cult, ao RPM a ser o maior vendedor de um único LP na história do disco Brasileiro, ao Titãs virar mito e a Lobão virar “enfant terrible”. A promoção não ajudou a Guilherme Isnard, Dr. Silvana, Sempre Livre, Espírito da Coisa e outros grupos aos quais a batida tirou-os da estrada e colocou-os no acostamento.
Essa mudança de forma( jabá para promoção) deu certo de tal maneira que todos( emissores e receptores da promoção) foram obrigados a estruturar seu “departamento de promoções”. Essa criação profilática fazia a assepsia nos departamentos comerciais, que começaram a se contaminar com o vírus que antes só acometia os programadores, criando uma espécie de contrôle de tráfego, o qual se reportava diretamente à direção geral, prestando contas tanto da parada de sucessos(quem obrigatóriamente figurava na programação musical), quanto da parada de fracassos(quem estava escoteiro, sem nenhum calçamento digno de um interêsse especial).
A promoção criou grandes eventos para subir a cotação de artistas. O “Rock in Rio” foi um deles, o “Rock Brasil”(BH) foi outro e os shows de aniversário das emissoras, evento máximo anual de cada uma delas, onde as gravadoras ofereciam uma lista de contratados para escolha pelos departamentos de promoções das aniversariantes, colocando agentes e empresários de cabelo em pé, pois se a coisa ficasse por conta dessa “idéia fantástica”, seus contratados não fariam outra coisa senão tocar em “aniversários” de emissoras de rádio e grupos regionais de comunicação. A carreira e os shows próprios? Que ficassem em segundo plano.
Como tudo que funciona a margem vira padrão no Brasil, toda a sociedade adotou a promoção. A coisa verticalizou de tal forma que tudo é movido dentro dessa característica. Qualquer atividade institucional do Executivo, seja Federal, Estadual ou Municipal precisa de promoção para decolar. Todo mundo fatura um troco. Seja o veículo que divulga a promoção, a empresa que vende o produto, a propina( a “comissão”) que é distribuída e quem estiver no trajeto sinuoso, até o alvo da atividade. Isso quando existe alvo. Um exemplo são os “banheiros do PMDB”, denunciados pela “Veja” da semana passada- que, a um custo de R$17.000 por unidade, estão sendo instalados em lugarejos que nem possuem saneamento básico.
Os veículos não deixam por menos. Vendem sua opinião e seus serviços à Elite que souber se “promover” da melhor forma, na visão distorcida do partidarismo imperante. Exemplo? Quem trabalha na mídia já escolheu José Serra como seu candidato à presidência em 2010. Pode ser que o Presidente ache essa idéia boa. E se ele não achar? Garanto a vocês que, quando as verbas promocionais do govêrno federal começarem a pingar, vai haver uma dança das cadeiras em direções, redações e produções de toda a mídia nacional e regional.
E quem vai ser o culpado desse corte? A promoção. Aposto com quem quiser que isso acontece antes do meio do ano que vem. Apesar dele ter mudado de nome, sexo e vestido uma roupa mais agradável, ele – o jabá- sempre vai ser o culpado por tudo. Pela falta de liberdade de imprensa, pelo cerceamento do direito de expressão, pela injúria, pela calúnia e pela difamação. Garanto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário