quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Que Natal é Esse???

Querendo ou não, o natal é que nem o país em que sentamos a praça da moradia. Repleto de contrastes. Se, por um lado, serve para reunir o que sobrou da família como nós-de 50 e + - conhecíamos num passado não muito remoto, também serve para acelerar desigualdades e como máquina do tempo no sentido de nos confrontar com a velhice que nós queremos ficar aquém, sempre e muito.
Durante mais de 40 anos de minha vida, eu dei uma importância danada ao natal. Gostava da festa em si, gostava da comida, gostava de um monte de coisas que eram correlatas à festividade e que sempre aconteciam, naquela desordem caracaterística de reunião familiar, onde nada funciona como o planejado e todo mundo tem uma solução para tudo, apesar de inadequada e nada funcional.
Primeiro foi minha irmã a morrer, numa noite de natal. Depois, minha mulher teve a esclerose múltipla diagnosticada- num mês de novembro, depois, papai foi embora e agora vou vendo como ficar sozinho não é muito legal.
Eu não tenho pena de mim em nada, pois o que acontece comigo ou é fortuito ou é feito de consciência limpa, tendo nela somente um fantasma que ainda não consegui resolver. E ele ainda vai me perseguir alguns natais afora.
Sendo sincero, não sei qual foi a associação de idéias que me levou a escrever esse “Credo”, tendo papai noel como Pilatos. Mas, é desse jeito que a fila anda. Li agora numa folheada de jornal que uma pesquisa determinou que 52% das pessoas que participam de uma festa de amigo oculto detestam brincar disso e apenas 7% dos participantes levam o evento na esportiva e participam sem grilos da brincadeira. Para o restante, tanto faz como tanto fez.
Na verdade, o natal virou palco das promoções mais esquisitas e díspares que se têm notícia durante o ano. Qualquer atividade ou serviço entra no jogo. As queimas de natal são tantas que, se fosse a sério, não haveria bombeiro para apagá-las. Do dia 20 para cá estou recebendo a média de oito emeios diários com alguma promoção. Como eu não uso barreira antispam, vocês já devem imaginar a quantidade de lixo diário que lota minha caixa postal(NOTA: JORNALISTA QUE USA BARREIRA ANTISPAM DEVE MUDAR DE PROFISSÃO, POIS NÃO NASCEU PARA A COISA. VENDER PICOLÉ NA PRAIA É UMA BOA. VERÃO ESTÁ AÍ.). Chega de liquidação de Viagra até emeio vindo da China dizendo que eu tenho toda a bossa para virar importador de quinquilharia. Já me ofereceram até representação de motocicleta. É inacreditável a capacidade de geração de antimatéria que esse pessoal têm.
Da minha parte, vou vendo o horizonte natalino cada vez mais estreito. Não consigo mais comer presuntos, perus, nozes,castanhas, rabanadas, etc. Como minha tia com quem passo a noite do natal desde pequeno, faz um bacalhau da pesada, é nele que eu apresento meus documentos. Encho o rabo de sidra e de coca e aguardo meu pedaço de uma torta de nozes divina, cuja receita é segredo das mulheres da família. Já um caco velho, venho prá casa de mamãe e durmo até não poder mais. Depois, eu nunca sei porque engordo qui nem um leitão. Também né..........
No dia que todos não estiverem mais aqui, vai se cumprir a profecia da minha sobrinha, para quem família não passa de uma coleção de retratos em cima de um móvel do quarto. No dia que isso acontecer, acabou o natal para mim.

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