Vi no “Globo” de hoje que a Warner Music resolveu lançar “The Doors live at Matrix”, uma gravação anterior ao sucesso da banda, gravada quase que artesanalmente no local e restaurada pelo Bruce Botnick, produtor dos discos que causaram impacto a partir da fama de Jim Morrison and meninos. Realmente o ACM está certo. É uma coisa para fãs. Não é uma coisa para quem gosta, pois Doors ao vivo é muito ruim, haja ouvir o material de catálogo, que não é lá essas coisas.Tocando nesse assunto, existem bandas as quais o registro ao vivo é deletável. The Tubes é um exemplo, a Sensational Alex Harvey Band é outro, Cheap Trick é mais uma. Beach Boys não tem graça nenhuma e seu catálogo possui um “fake” histórico – “The Beach Boys Party”- tão ao vivo quanto o DVD do Toni Platão, o qual o grupo tentou redimir com o “The Beach Boys Live in London”, numa tentativa debalde, já que volta a parecer um disco gravado de “take único” num auditório vazio, com ambiente e palmas mixados depois na pós-produção. Brian Wilson nunca soube lidar com esse tipo de captação de registro, detestando qualquer manifestação que estivesse longe de “overdubs e mais overdubs”. O mentor dele, Phil Spector, cometeu seu maior fracasso ao congelar a eletrização espontânea de Ike & Tina Turner, que se exprimiam tão bem ao vivo e, em estúdio, eram aquela coisa trágica e gongórica revelada em “River Deep Mountain High”.
Já os registros “Live” dos Rolling Stones valem a pena pelo clima anfetamínico(“Got Live If You Want It”- O primeiro, ainda de 1965) e pela vibração captada(“Get Yer Ya-ya´s Out” e os subsequentes em Chicago e New York)e os de Jimi Hendrix pelo desleixo e improvisação antológicos que o guitarrista conseguia criar. “Live in The West” é o grande exemplo.
Num retrospecto, podemos dividir a História da Música gravada elétricamente(anos 40 para cá) em fases. A primeira delas é a reunião, fase no qual o jazz é preponderante com os clássicos do final dos anos 40 indo até os anos 50, onde grandes nomes em cada instrumento são reunidos em sessões históricas. No final dos anos 50/ early 60, temos o início das fusões, com um Miles Davis imperativo em “Sketches of Spain”, no aparato sinfônico com Gil Evans e, encerrando a década, no elétrico descabelado do “Miles at Fillmore”, trazendo na cola os Return to Forever e John McLaughlin da existência. A música divertimento é responsável pelo interlúdio, com a explosão do disco e afins, dando lugar aos acústicos e unpluggeds, que fazem a tônica dos anos 80 até hoje, idade do DVD.
Se eu esqueci de algo, depois eu volto a bater na tecla, já que assunto não falta para isso e o único jeito que eu achei para encerrar o texto foi esse. Tchau.

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