Bettie Page morreu. A primeira incentivadora de atos masturbatórios de toda uma geração e que me fez passar horas trancado no banheiro, durante o trajeto infância-adolescência, (vulgarmente chamado de puberdade), faleceu aos 85 anos de idade. Ela não se deixava fotografar desde os anos 90.Mais pop que Bettie impossível. Desde que fotografou o famoso calendário sadomasoquista para a Playboy de 1955, a pin-up virou mural de oficina mecânica e suas fotos foram devidamente borradas em todas as cabines de banheiro masculino e em algumas salas de banhos de casas de boa família, num crossover extensivo do vovô ao netinho mais novo.
Se ejaculação de punheta chegasse ao destino, Bettie teria morrido afogada num mar de esperma.
A imagem de Betttie ficou eternamente associada ao estereótipo da pervertida, gerando uma série de sucedâneos, alguns clones fajutos, outros personagens de grande sucesso, como a “tiazinha”, nascida no programa que Luciano Huck comandava na Band, que teve um pouco de vida aparente e depois desapareceu no apagar dos holofotes. Qualquer dia desses reaparece, ao estilo Leila Lopes, fazendo o chamado “pornô clean” pras negas delas e pagando boquetes daqueles inenarráveis. Clean? Só se for no dicionário delas, né mesmo?
Mas, voltando ao nosso personagem de hoje, Bettie ficou popular até no Blues, ganhando um clássico de Leadbelly, depois regravado por algumas bandas(“Black Betty”).
Bettie foi considerada uma das deflagradoras da revolução sexual norte-americana, protagonizando, ao lado de Henry Miller, Hugh Heffner, Gay Talese e Larry Flint, o núcleo propagador de uma das maiores mudanças de comportamento de uma sociedade, mais ou menos semelhante ao conflito de gerações deflagrado pelo Rock and Roll.
Nada foi tão perturbador quanto o baralho onde Bettie aparecia em poses mais que obscenas, sendo surrada por outra mulher, portando chicotinhos e vestindo toda sorte de fetiches.
Segundo entendidos, existe uma série de cópias dessas fotos feitas por Freddie Mercury no papel de Bettie e que estão para o mundo gay como as fotos de Bettie foram para o mundo hétero. Já, no real, existe a famosa série de fotos protagonizada por Mick Jagger e Brian Jones em lingerie preta. Uma seleção das primeiras não tem preço, já que elas são consideradas meio lenda. Quanto a segunda seleção, qualquer US$ 5.000 compra uma cópia.
Como sempre acontece nesses casos de exposição maligna exagerada, Bettie pirou, foi internada e, quando se viu livre do sanatório, vestiu a camisa de força do Cristianismo Evangélico. Se morreu feliz e foi pru céu, só quem sabe disso é o Manoel.

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