Sempre fui um fuçador. Comecei a fuçar pelo método da tentativa e êrro. Quando aprendi a ler, a mente prussiana de papai começou a me instigar em ler manuais antes de partir para a tentativa- dando certo, ou erro- quebrando, danificando ou tornando a coisa imprestável.Foi meu amigo Zulu quem traçou uma metodologia infalível. Primeiro investigar. Depois tentar. Se errar? Foda-se. Cola e chave de parafuso não foram inventadas por acaso. E assim fomos indo. Primeiro foram os aeromodelos. Alguns chegaram a voar. A maior parte ficou na bancada de testes. Depois, carrinhos de autorama. Íamos para a pista profissional da HobbyCenter, em Copacabana e botávamos para a frente.
Quando houve o primeiro campeonato nacional patrocinado pela Estrela, nos inscrevemos e chegamos a finalíssima em São Paulo. Nessa época, o apelido do Emerson Fittipaldi era “rato” e ele tinha uma escuderia, a “Indy”. Depois vieram as bikes,mais tarde as motos e fomos assim até a música, onde, infelizmente, tomamos caminhos cruzados. Zulu não tinha ritmo. Sua batida era meio sem açúcar e, no frigir dos ovos, batida- para ele- era chocar uma coisa com outra.
Comecei com um violão. Era de minha prima. Esperei ela se desinteressar pela coisa e peguei ele “emprestado”. Minha tia Zoe , violinista da pesada, já tinha descoberto que eu era canhoto. Como ninguém tocava do jeito que eu conseguia, tive que aprender na base do tentativa e erro. E olha que eu aprendi sozinho. Meio nas coxas, mas aprendi. Tocava alguma coisa que dava para me acompanhar e ganhar as menininhas mais desavisadas.
A primeira a se emprenhar pelos ouvidos e apreciar meus dotes artísticos foi a Eleonora- uma nariguda gostosa que morava no terceiro andar e eu, até um pouco tempo antes, nem olhava ela direito. De repente, a mulher desabrochou na menina e ela ganhou uns seios e uma bunda que eu vou ti contá, meu irmão! Comecei a azarar legal e ela foi entrando na minha. Aí ela começou a ir lá em casa para assistir aos ensaios da minha banda de garagem. Até que um dia, ela bateu E não TINHA ENSAIUUU!!!! Peguei o violão, emendei um “If I Fell” e daí prá frente........ Como diria Tavito, os Beatles sempre ajudaram.

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