quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A Falta que não Faz

Não faz nenhuma falta o programa Flávio Cavalcanti, com seu “Um instante Maestro”, fonte de alguns dos jabás mais nojentos presenciados na TV, principalmente os protagonizados por Otolindo Lopes, Adelino Moreira e Osvaldo Nunes, como também não faz falta a Buzina do Chacrinha, onde as gravadoras que pagassem mais faziam o programa, que só não era feito por uma entre as outras para não dar muito na cara. Não se sabe a quem enganavam e se os Marinho, que deviam estar cientes, ficavam coniventes.
Também não fazem falta os “Mexericos da Candinha”, assinados por Carlos Imperial, que chantageava a todos a fim de levantar uma grana, ou então daqueles programas de TV onde Imperial chamava garotas de programa como coristas e , em troca , veiculava gratuitamente seus “serviços”, dando o telefone para encontros e a boite em que elas trabalhavam. Ficou famoso o episódio Carlos Augusto Montenegro-Vera Vargas, no qual Imperial armou um encontro íntimo entre os dois, num local repleto de câmeras fotográficas enquadrando todos o ângulos, fotografou tudo e depois trocou índice de audiência por silêncio com o big shot do IBOPE.
Hoje o Jabá e a chantagem estão institucionalizados na mídia e passam dissimuladamente “informações” para desinformar a patuléia, baseados em informações ditas privilegiadas obtidas em “vazamentos” consentidos, tidos e havidos em todos os níveis. Faz-se o jabá plantando uma notícia num veículo e quando ela é checada e desmentida por outro, este último é processado judicialmente. Estamos assistindo a isso, de uma forma passiva ou mesmo revoltados, ficando perplexos co os rumos que tudo vêm tomando nessa sociedade, cada vez mais desestruturada. Algumas vozes discordantes, como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Alice Ramos e outros poucos se levantam contra e sofrem campanhas de difamação desgastantes.
O que, na verdade, faz falta é um pouco de vergonha na cara e um parar de se escudar na impunidade, pois assumir um erro ou uma falta da mesma forma que se saboreia uma vitória é a diferença que faz a figura pública de um indivíduo como eu e você. Esse é o diferencial.
Há muito tempo atrás, trabalhando eu numa redação de rádio, meu superior imediato me falou, quando da morte de Afonso Arinos:”Faleceu a última reserva moral dessa m....dessa terra. Agora estamos f.........”. As palavras dele foram proféticas. Isso sim faz falta e não está incluído na falta que não faz.

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