Nos anos 50, “Isso faz um bem...” era o slogan da Coca-Cola, que patrocinava um programa chamado “Quero Saber Mais”, que ia ao ar pela versão carioca da TV TUPI. Não me lembro mais quem apresentava o programa, mas um dos quadros do qual me lembro foi um feito sobre os palhaços de circo e o escolhido para ser alvo da matéria foi o “Zumbi”, que era, ao lado de “Fred”, um dos escadas de “Carequinha”.“Carequinha”, recentemente falecido, além de ser um dos primeiros artistas circenses a aparecer no vídeo, foi também intérprete de um primeiro lugar na parada pop. Quem não conhece “Um bom Menino não faz Pipi na Cama”? Essa música, ao lado de “Conceição”, foram os primeiros hits de meu imaginário individual, no qual só minha fantasia era transportável. Não haviam players e ouvir música ou ver TV significava sentar-se na sala ao lado de todos, sendo obrigado a ver tudo aquilo que você detestava até que sua hora de pilotar as carrapetas chegasse- coisa que nem sempre acontecia. Existia o famoso “tá na hora de dormir-já prá cama”.
Lembrei disso e digitei aqui apenas pelo fato de que, ontem de noite, um sobrinho bateu cá em casa com um notebook para me mostrar um DVD do Mark Knopfler que ele havia comprado a tarde num shopping. Eu estava na sala com mamãe e ela via um filme e vendo continuou. Eu botei um headphone e ouvi umas seis faixas do DVD sem interrupção, a não ser pelos comentários do sobrinho sobre o que eu via. Não aconteceu nada demais e todos continuaram felizes e serelepes.
Se, nos anos 50, alguém predissesse algo semelhante, ia ser taxado de maluco e adorador de selenitas( alienígenas que todos diziam morar na lua inatingível). Não precisamos ir tão longe no passado. Se, nos anos 70, alguém dissesse que seria possível se gravar uma música e cortar um CD no próprio quarto de dormir do músico- com ele próprio interpretando vocal e todos os instrumentos, aquele que falasse isso ia ser visto como fumante de baseado ou tomador de ácido. Garanto. Hoje, qualquer um que se disponha a isso tem acesso a qualquer coisa necessária, graças a tecnologia. Ela num faz um bem danado?

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