quarta-feira, 7 de maio de 2008

Como jogar dinheiro fora


Jogar dinheiro fora hoje no Brasil é procurar na mídia impressa algo interessante sobre o que acontece no cenário da indústria cultural. Ao menos para a minha faixa de interêsse, nada de bom acontece. Nenhum veículo fala a realidade sobre as turnês caça-níqueis de figuras como o Whitesnake, Deep Purple, Police e Johnny Rivers. Dados e históricos são distorcidos, como foi o caso do “norte-americano” Ozzy Osbourne. A palavra de ordem é a bunda-music, o dia-a-dia do artista de novela ou então “comentários abalizados” sobre a história cultural de nosso grupo social( vide o “tratado” escrito por Ali Kamel sobre o racismo no país).
Apontar consequências como sendo causa e orígem dos males que afligem o panorama é a palavra de ordem. Quanto a questão de ordem que levou a isso tudo, sua culpa é sempre atribuída à oposição do momento. A situação sempre quer se sair bem na fita e enumera uma série de quesitos que, se tivessem sido resolvidos num tempo em que ela era oposição, ela( situação) não teria esse calvário para ser crucificada pela agora oposição. E, nesse jogo de empurra-empurra, a cultura brasileira vai ficando cada vez mais ignorante e se dissociando da realidade.
A indústria cultural do país sempre admitiu dois planos: o dela – onde, essencialmente, um público pode se dar ao luxo de consumir seus produtos a preços de primeiro mundo, e o real, onde um terceiro mundo que luta pela auto-inclusão, não consegue pagar pelo privilégio.
Vivendo essa realidade imposta, a maioria não-incluída apela para a pirataria e dá as mãos ao crime organizado. Já a Indústria Cultural, para não perder seus privilégios e a distorção que batiza como “propriedade intelectual”, tenta criminalizar a luta pela inclusão de quem vive a realidade criada por ela mesma( indústria cultural).
Essa contradição leva a uma visão marxista de todo o problema, pois a história aí passa a ser a luta entre incluídos e excluídos por um bem abstrato, numa mais-valia que beneficia o explorador da “commoditie” conhecimento, isto é, gravadoras, editoras, gráficas e outras entidades exploradoras que se encontram no meio da relação mercadológica, utilizando a defesa de uma discutível propriedade intelectual a seu favor.
Já as duas pontas do mercado- artista e consumidor- que se danem, pois a filosofia imperante é a famosa “farinha pouca, meu pirão primeiro”. E a mídia compactua e apoia todo esse processo, pois sem ele, a crítica e a resenha perderiam sua razão de existir.
Se Hermann Goering assinalava que , toda vez que ouvia a palavra “cultura”, tinha a vontade de sacar um revólver, eu me sinto como o jumento da ilustração toda vez que leio um texto sobre cultura e industria cultural.

Um comentário:

fábio mello disse...

Só dá para ler blogs e publicações estrangeiras. A imprensa brasileira é jeca.

Dia desses descobri uma cantora dinamarquesa fantástica, chamada Kristin Asbjornsen. Fui procurar algumas informações nos sites brasileiros. Nada. Porra nenhuma.

E rádio? Não escuto. Ainda mais por morar no Interior. Só dá essas porcarias de duplas ditas sertanejas.

Graças aos deuses existe a internet. E blogs legais como este, que merece mais divulgação, viu?

Abraço, Nacino.