sábado, 24 de maio de 2008

Bobeira




Eu não acredito que seja necessária uma “Emenda Constitucional no sentido de erradicar impostos para gravações de artistas Brasileiros”. Acredito inclusive que quem redigiu a nota, publicada na coluna “Gente Boa” desse sábado em “O Globo” tenha redigido de forma errada. Não seriam “gravações realizadas em estúdios Brasileiros”?
Primeiro, porque emenda constitucional deve ser usada para assuntos um pouco mais sérios e não de forma corporativa. Já bastam as emendas existentes na teoria e que não funcionam na prática. Qualquer mudança nesse sentido deverá estar contida na propalada reforma tributária que todos esperam que aconteça há algum tempo. Por outro lado, criar reserva de mercado na indústria cultural é sempre um mal passo que pode ser usado no sentido de dirigir, orientar e aconselhar, três significados diferentes para a palavra censura.
E, por último, qualquer uma das duas opções de redação vistas no primeiro parágrafo vai terminar beneficiando indiretamente as grandes gravadoras. Exemplo? Paul Simon dá uma recaída e volta ao Rio para gravar um disco com músicos e ritmistas Brasileiros. Esses músicos são o quê? Artistas Brasileiros, certo? Aí Paul usa nove períodos de gravação , utilizando-se de 12 músicos, pega o master digital resultante , remixa-o em NY e a multinacional vai prensá-lo em Taiwan. Essa gravação, feita por artistas Brasileiros, vai passar zerada pelo fisco, querem apostar? Por que? `Porque ela vai ser creditada a qualquer inocente útil, estilo Caetano, Djavan, Moraes Moreira, Maria Rita ou outro qualquer que tenha ido lá “participar do projeto”! Manobras contábeis não faltam.
Vendo pela outra redação, se as gravadoras conseguirem esse primor, vai ser uma enxurrada de gente que vai vir “gravar no Rio”. Estúdios bons não faltam e, com a isenção de impostos, vai ser uma festa, negada a muita gente boa local. Vai ser que nem ir gravar na Jamaica ou em Nassau. Bem mais barato que gravar nos states, onde existem sindicatos e mentir pro Leão de lá sempre levanta aquele cheirinho de merda.
Sou da opinião que sejam necessários patrocínios para outras causas, como uma mexida na relação existente em direitos autorais e da tipificação existente o que é legal ou pirataria. A revolução tecnológica acabou com a distinção entre original e cópia, mas a maioria dos entendidos estão cegos para admitir enxergar que só essa visão já faz tudo ficar diferente. E, por outro lado, decisões em benefício corporativo ou no sentido de criar reservas de mercado- que é o que vai acontecer na realidade- sempre são uma vacilada retrógrada.

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