sábado, 20 de junho de 2009

Ziriguidum!

Acho que o samba é legal demais. Mesmo!
Eu gosto bem de samba, por incrível que pareça. Sou chegado a Paulinho da Viola, ao Roberto Ribeiro, a alguma coisa de Beth Carvalho e Clara Nunes. Só detesto essa pagodeira mambembe que toca em rádio e que, antes da bunda music, mandava na parada.
Já até participei de produção de programa do gênero. O nome era “A Hora e a Vez do Samba”, que ia ao ar todo dia , de 12 as 14hs, pela Rádio Roquette Pinto. A apresentação era do Zé Galego- que era nome mesmo(José Soares Galego Borges. Tinha um irmão guitarrista de “Os Canibais”) e só tocava samba do Rio, de escola, de morro e de pagode manjado. Nem Chico da Silva(amazonense) tocava. Era restrito mesmo.
Na época, em rádio os programas dedicados ao gênero eram escassos, ainda mais que “Dancin Days”( novela) estava no auge e quem mandava era a música importada. Assim, querendo ou não, era uma das poucas janelas que as gravadoras e a liga independente tinham para veicular faixas e falar alguma coisa com o mundo do samba, que sempre teve agito e correria, apesar da mídia teimar em esquecer a coisa.
O porquê desse desinteresse é que a Liga das Escolas tinha um contrato assinado com a gravadora Top Tape e que, naquela época( 1977) tinha cinco anos que estava em vigor e só ia expirar em 1982.
O disco era uma mina de dinheiro e sempre era lançado após os cortes de cada escola, com o samba-enredo definitivo. Os cortes iam de setembro até meio de outubro. Até início de novembro a galera gravava o samba definitivo, e mais tempo para corte e prensagem, ele tava nas lojas no dia 25 de novembro.
Junto com o disco anual de Roberto Carlos, o Lp de samba-enredo era presente de natal e, devido a isso, liderava a parada de vendagem até final de dezembro. Liderando as vendas, era um dos mais tocados em rádio e essa bola de neve dava dinheiro para todo mundo.
A Globo só foi entrar na jogada em 83, mas o João Araújo, querendo dar uma de bonzinho, assinou o contrato só por um ano. Resultado: Foi naquela eleição(82) que a galera do Waldomiro e do Capitão Guimarães assumiu a liga. Aí, o pessoal montou o selo fonográfico e eles próprios começaram a gravar, editar e prensar a bolacha.
Essa bola de neve salvou meus natais de 78 a 82, fazendo eu aparecer de bonzinho e dando presente até para o papagaio da sogra( aquele que me chamava de filho da puta nas encolhas). Essa foi uma das razões porque eu nunca mandei o vinil para a puta que pariu. Devo demais a essa bolachona preta com furo no meio e ainda tenho uns três mil deles guardados na casa da mamãe.
E, pensando nisso tudo, fiz uma seleção de sambas em MP3, montando “A Hora e a Vez do Samba”, numa homenagem justa ao Zé Galego, ao Ratinho, ao Cabralzinho, ao Adelzon Alves( na época ele transava com a Clara Nunes) e ao Manoel Wambier, que dirigia a Rádio(Roquette) e deixava a gente aprontar aquela zona. Saudade é isso. O resto é o resto.

A Hora e a vez do Samba.zip

A guisa de ficha técnica, algumas historinhas.
“Gago Apaixonado” é um dos raríssimos registros de Noel Rosa cantando. Deve ser de 1935 e, tudo indica que foi gravado na máquina de cortar da antiga Radio Cajuti, mais tarde Radio Vera Cruz, Rádio América e hoje eu não sei mais seu nome.
“Avatar”, samba de 79 da Mangueira, na voz de Jamelão, é a fita do corte, gravada no estúdio de gravação da Radio Roquette Pinto. Eu armei os microfones e o Zé Galego operou a gravação. Para uma gravação “fulltrack”, até que o resultado final é legal.
“Gavião Calçudo” deve ser a última vez em que os “oito batutas” se reuniram com Pixinguinha à frente para tocar algo. O vocal é do Sombrinha.
“Ao Povo em Forma de Arte”( Candeia) é a homenagem que presto ao Adelzon, porque ele foi o único a prestigiar o compositor e entrevista-lo em seu programa quando Candeia lançou o Lp pela WEA. Qualquer dia desses eu conto a história dessa entrevista, pois ela é antológica. A produção é do Serjão Cabral.
Paulinho Soares era do subúrbio e só gravou porque a voz dele era igual a do Chico Buarque de Hollanda. Prestem atenção e depois me digam. O samba( mesma harmonia de “pega o ladrão”(sinal fechado) tem tudo a ver com a época vendida e entreguista que o Brasil vivia.O nome do samba é "O Patrão Mandou".
Bom Download!

Um comentário:

Cris V disse...

Ai, Guerra, que saudade, vc.me mata de saudade . E olha que nao faço o gênero saudosista, não. Nem, mto. menos nostalgica. Vivo o presente, procurando fazê-lo da forma mais agradável e prazerosa possível. Mas vc. com estas suas cronicas me remetem a um tempo em que fui muito feliz, embora nao soubesse disso. E que, por mto. tempo, tentei, de uma certa forma, deletar da memória. Não, deletar não, mas deixar guardado numa pasta de rascunho. Melhor não mexer. Gente, Zé Galego, que figura! o Adelzon, nas suas madrugadas (por onde ele anda, em?)! Ratinho e Cabralzinho eu nao me lembro. E a irmã de Carmen Miranda que era secretária do Wambier, em? Cecília, nao? Guerra, vc. lembra do Aurelio Buarque de Holanda (ele mesmo, o do dicionário) passar lá mensalmente para assinar o ponto? Quem mais tinha uma boquinha ali, em? Só sei que eram 250 funcionarios, imagina, inacreditável. Todos pendurados numa rádio estatal. A coisa é antiga mesmo. O Wambier até tentou colocar ordem na casa mas já estavam acostumados a não ter que trabalhar. Foi a nossa sorte pois como o (como é mesmo o nome dele, em? Era um intelectual, não me lembro o nome, que era diretor do Depto. de Cultura e chamou o Wambier prá dirigir a rádio. Ele aceitou com a condição de ter carta branca para dinamizá-la)Assim, como não conseguia botar os funcionários ali lotados para trabalhar, teve que contratar profissionais de fora. E aí, com aval do secretário de Cultura, fez aquela festa! Que período, em? Guerra, lembra dauqle programa em que o Chacal declamou uma poesia e lá pelas tantas, "mete, anjo, mete...". Numa rádio estatal. Guerra,E Anna Maria Bahiana, tua ex, por onde anda? Angela de Almeida, sabe dela? SAUDADE POUCA É BOBAGEM. Um beijo na bochecha.
Dalva
Vou ouvir agora!