Amenidades/ saudades/ cidades/liberdades/virgindades/maldades e por aí iria a lista de palavras rimantes no sentido de versejar. Esse sempre foi meu processo de criação para minha poesia, prosa, meu poema processo, minhas versões musicais e mesmo algumas letras que perpetrei no sentido literal, pois, às vezes, eu tinha um bom refrão(“Qualquer barato é um barato qualquer”) e não tinha o resto, ou então partia de afirmativas inusitadas e surrealistas(“as pulgas não mandam aviso”) para não chegar a lugar nenhum, escrevendo folhas e mais folhas, devidamente arquivadas na cesta seção( lixo)“aaaaiiii doutor………eu passo maaaaalllll….
“não posso ver uma banca de jornal……………
Ela me paralisa, me cola no chão, me segura……
A banca de jornal acaba com meu tédio, doutor….
Quando vejo uma/ tenho uma crise/sinto uma tontura!!!!!!!
“aaaaiiii doutor…….minha doença é mental?
“aaaaaiiii doutor….será que ela tem cura?
“aaaaiiiii doutor….me receita um remédio
para acabar com essa tortura!!!!!”.
(Esse é o blues da banca de jornal. Saiu da idéia um dia desses. Achei legal e guardei. O que vou fazer com ele eu não sei......)
Adoro ver os escritos dos outros e, por incrível que seja, não os comparo com nada nem exerço nenhuma atividade crítica a respeito. Longe de mim um José Veríssimo ou um Silvio Romero. E a Internet nos faz descobrir e ler coisas que as editoras nunca nos proporcionariam. Um exemplo é o blog da Chris V(http://crisvnf.blogspot.com/). Fantásticamente legível. Outro é o blog do Janos Biro( antizero) ou toda a listagem do coletivo sabotagem.
Quem quiser uma overdose de coisa boa basta freqüentar o Portal do Luis Nassif, do qual eu, modestamente, faço parte. Já até levei um esporro dele ao chamar um publicitário conhecido de filho da puta. E , convenhamos, não é unzinho reles que vai levar um esporro do Luis Nassif em pessoa. Tem que ter know how para tanto, né mesmo?
Isso me lembra o Cássio Loredano, que alugava um apê na mesma locadora em que Carlos Drummond de Andrade alugava o dele e descobriu qual o dia certo em que o poeta ia pagar o seu aluguel, só para ir lá e estar presente quando o poeta aparecesse, só para vê-lo de perto e platônicamente.
Ou então o Xico Chaves, ainda publicitário, ao desenvolver a campanha das lingüiças “Nhoque”- marca sugerida por ele ao frigorífico. Segundo Xico, “nhoque” era o barulho que a boca fazia quando comia um pedaço de lingüiça.
Ou Jaguar ao afirmar que Bloch era o barulho que o cagalhão fazia quando batia na água do vaso, ao comentar entre amigos o apreço que tinha pelo proprietário da revista “Manchete”.
Vou lembrando disso tudo e constatando que loucura pouca é bobagem. E que a sociedade anda meio careta no meu modo de apreciá-la. Acredito nisso porque, como comentei com uma amiga ontem, eu levava a vida baseado num baseado. Meu traficante sumiu e estou careta por força dos acontecimentos. Na verdade, eu sou louco de nascença e minha cabeça sempre andou lotada, como se fosse um barata ribeiro 200 cerebral.
Uma vez, deitado no chão, pedi a minha companheira que pegasse uma vassoura de piaçava e me desse uma coçada em regra. Ela perguntou porque e eu disse. “Um dia você vai poder dizer pra suas amigas que vive com um doido varrido”.
Minha cabeça: Sempre foi tanta coisa dentro dela que eu nunca me preocupei em saber de onde veio isso tudo. Principalmente quando entro numa de fazer catarse, como estou agora. Isso passa. Sei disso.

Um comentário:
Adorei a catarse. Seja catártico. Sempre. É o mínimo que a gente merece. Eu me vi inteira neste seu post. E grata por suas palavras elogiosas a respeito do meu blog. Qualquer dia vou escrever sobre você. Catarticamente too. Bjão.
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