Quem quiser discutir que discuta, mas, em termos de apropriação pelo pop, a música religiosa mais pé no saco que pintou até o momento é esse gospel diluído e monoteísta, que só fala em Cristo para lá e Cristo para cá, numa louvor monocórdico e fanaticóide, completamente desinteressante a quem não pertence a qualquer uma de suas seitas. Não levo em consideração o “sucesso” que ele faz. Para mim, tanto o gospel quanto o padre Zezinho são farinha do mesmo saco.Em minha opinião sincera, a apropriação que o pop fez dos pontos de Umbanda foi muito mais proveitosa para ambos os lados do que isso que está acontecendo hoje em dia. Um homem foi responsável por tudo isso: J. B. De Carvalho que, nos anos 30, começou a recolher os pontos tradicionais, passar para pauta, colocar início, meio e fim nas letras e gravar os mais fervorosos e conhecidos. A única coisa chata que ele fez foi registrar tudo em nome próprio, mas Catulo da Paixão Cearense fez a mesma coisa e nunca ninguém reclamou. Mais tarde, quando um monte de compositores resolveu "beber da fonte", J.B. e seus herdeiros sairam processando todo mundo, numa confusão danada. Houve até chamado e obrigação, como o ocorrido com Clara Nunes e mais veladamente com Maria Bethania, que começaram a gravar material para pagar obrigações contraídas em terreiro do Candomblé.
E, nesse assunto, a Cultura Brasileira é muito peculiar, pois os artistas e músicos aqui fazem o trajeto inverso entre o popular e o religioso. Enquanto na América a maioria sai da igreja para o palco(James Brown, Billie Holiday, e mais recentemente o King Of Leon), aqui neguinho sai do palco e de uma overdose para os “braços de cristo”, com o leque indo de Mara Maravilha e Simony, passando por Ed Wilson e indo até Roberto Carlos, o evangélico mais enrustido do pedaço. Conversão aqui é um jeito de exorcizar um passado reprovável E a gente tem que dormir com esse barulho.

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