A primeira vez que a Estrela Dalva despontou foi lá na Rádio Roquette Pinto, onde a conheci completamente esfuziante e agitada, se contrapondo a placidez e a calma quase que enervante do Wambier. De lá até o final dos anos 70, sua presença na minha vida foi marcante e definitiva- Ela e aquelas duas gracinhas, de nome Helena e Júlia.Dalva foi talvez a mulher mais forte em qualquer aspecto que eu conheci. Trabalhava que nem uma condenada, cuidava da casa, organizava o Manoel e ainda tinha tempo para ser antenada, inteligente, espirituosa, saber de tudo e cuidar das filhas que, graças a ela, devem ter hoje uma cabeça ótima, dentro de todos os percalços possíveis e imagináveis , já que as peças que a vida nos prega são cravadas feito ponteiras, dilacerando a alma de um jeito que sempre nos deixa com algum ferimento.
Dalva era imprevisível totalmente e era isso que, aos meus olhos, a tornava mais fascinante. Conviver com ela era se apaixonar desenfreadamente, pois onde ela estava, a novidade estava junto. Confesso que gostava da Dalva mais que o necessário e isso não era nenhuma perdição para meu ser ou traição a confiança de um amigo a quem, na verdade, isso nunca lhe passaria pela cabeça ou pela minha. Éramos todos amigos, porra! E isso hoje em dia, nesse planeta de conhecidos casuais em que vivemos faz uma falta danada.
Estamos longe. Ela em Friburgo e eu aqui em BH. Mas estamos cada vez mais perto pela rede. E isso vai ficar cada vez mais patente e numa certeza daquelas que já vivemos antes, há tempos, quando a proximidade era real e física. Hoje ela é virtual, mas aos propósitos que eu, unilateralmente, quero, me serve perfeitamente.
Um beijão para a Estrela Dalva, cuja imagem celeste eu vejo sempre quando desponta, olhando para cima com essa cabeça tonta, arrastado pelo cachorro nas calçadas da existência.
PS: um dia eu conto a história da Dalva, irada e puta da vida, presenciando eu e o Wambier de porre apreciando o Grael no alto de um telhado recitando Garcia Lorca.

Um comentário:
~ao pode, realmente não pode imaginar com o sua mensagem me deixou feliz e, confesso, envaidecida. Saudosismos à parte, bons tempos aqueles, em? Estou aguardando que vc. conte logo aquela história do Grael recitando Garcia Lorca no telhado!
Beijão da sua, sempre
Dalva
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