segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SOCORRO!!!!!!!!!

Vem aí o já batizado “Projeto Brasil Heavy Metal”, que conterá livro, CD, DVD e um documentário a ser exibido em possível circuito de salas de projeção, mas, conhecendo a cena como eu conheço, deve ficar restrito ao Canal Brasil.
Na minha opinião, esse projeto, se ficar circunscrito ao que se anuncia, vai ser algo completamente risível e discricionário, já que o circuto não se restringiu apenas ao RGS, SP e MG. Na década de 80, práticamente todo o canto do país teve a sua banda diabólica e pesada, principalmente depois que o Iron Maiden- também em minha opinião – grande detonador da febre- fez sucesso com “Number of the Beast”.
Dez anos antes, o país havia sido tomado por duas epidemias, a infecção Yes e a febre Led Zeppelin. Houve gente que foi contaminado pelas duas, como foi o caso de Lulu Santos, que, naqueles seus grupos batizados de “Veludo”, “Beethoven e Seus Meninos” e “Vímana”, tinha um repertório crossover entre as duas epidemias. Uma das faixas era “Immigrant Song” sem tirar nem por, com algumas pitadas de qualquer outra coisa. Já a infecção Yes contagiou de forma terminal o que sobrou dos Mutantes, que chegaram a gravar um Lp(“Tudo foi feito pelo Sol”), onde a progressão da infecção era demonstrada em cada faixa. No início dos anos 90, um novo vírus deu o ar da sua graça num CD gravado pelos restos mortais de “O Terço”(leia-se Sergio Hinds) e que, pelo bem da história do Rock Brasileiro, deverá ser apagado do currículo da banda e ter todas as suas cópias destruídas por uma lagarta Cartepillar.
Voltando aos anos 80, eu achava completamente engraçado ver Robertinho de Recife, querendo ser o nosso Van Halen, tocar guitarra em um palco de Disco Voador, com a guitarra plugada em cinco Marshall de 100watts ligados em paralelo. Ou Carlinhos Punk( Dorsal Atlântica) subir no palco e gritar “ Pau no Cu de Deus!!!!!!!” Pra completar a coisa, ainda haviam os Celso Cheese e os Ray Rola da vida, em escalas pentatônicas realimentadas e distorcidas, num frenesi limitado aos 40 minutos de palco e outros tantos de glória, com letras cantadas num inglês cósmico(definição genial de Jô Soares)de deixar Ronnie James Dio se perguntando em que língua que aquele vocalista estava se expressando.
Falando em Dio, ele, Vinnie Appicci e mais dois jurássicos fundadores do gênero vêm ao Brasil numa daquelas tour caça-níqueis que vão fazer praça da apoteose, etc e coisa e tal. Falando sério, isso vale mais a pena que qualquer projeto Brasil Heavy Metal, pois pelo que eu já vi e ouvi, o nome certo da coisa deveria ser “Projeto Brasil Débil Metal”.

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