Ser empresário artístico e picareta foram sinônimos durante muito tempo na gramática cultural de nosso país. Na maioria das vezes, o empresário queria brilhar mais que o artista contratado( vide Guilherme Araújo) e sempre aparecia na mídia como “descobridor de talentos”.Carlos Machado, Jardel Jércolis, Luis Andrade, Benil Santos, Carlos Garcez e Marcos Lázaro eram tutti buona gente, mafiosos ao extremo e, segundo eles próprios, se não fossem eles não haveria vida artística no Brasil.
Com a chegada do Rock e sua institucionalização, mais picare, digo empresários apareceram. Moracy Do Val veio com o Secos & Molhados, tentou sem um Coronel Tom Parker, mas não tinha bala na agulha para tanto, já que o grupo era inconsistente. Com a saída de Ney para um vôo solo, o ego de João Ricardo funcionou como a sicuta socrática, envenenando uma carreira que nada tinha de promissora. Alguém lembra do álbum-solo de João Ricardo? Pois é: foi um fracasso tão grande quanto “Frenéticas babando Lamartine”(Frenéticas)- Alguém também lembra desse? Pois é, novamente: aqui vão dois exemplos de dinheiro jogado fora por empresário incompetente( o da Frenéticas chamava-se Leonardo Netto).
Outro picaretaço com todas as letras foi Mario Buonfiglio, que não conseguiu decolar nenhum artista que figurou entre seus contratados. O Made in Brazil foi o grande exemplo, já que conseguiu gravar um Lp na RCA graças aos esforços do amigo e conselheiro Ezequiel Neves(ver “Jack o Estripador”, um dos discos do rock brasileiro que você deve ouvir antes de ficar surdo). E parece que o mal atinge a família toda, pois sua filha Mônica andou um tempo dizendo por aí que conseguia entrar em contato com os membros dos Mamonas Assassinas.
Lado a lado com os picaretas, tivemos também os maus- caráter. Dois tempos, dois exemplos: Quando Milton Nascimento entrou em litígio com Benil Santos, atrás de um distrato, correu o boato que o empresário, para não perder a galinha dos ovos de ouro, chegou a ameaçar Bituca de denunciá-lo a polícia devido a posse de uma certa poeira branca. Já quem chegou com todas as letras a cometer essa canalhice foi Mônica Lisboa, empresária de Rita Lee, que, devido a um distrato não muito amigável, entregou Rita a polícia, dando a indicação até onde ela guardava o bagulho.
Já o grande Poladian é considerado o salvador de carreiras e de faturamento. Fez isso com Rita, fez isso com os Titãs e, no auge de sua atuação, era o homem que segurava a barra e a loucura do RPM, a única galinha dos ovos de ouro conhecida a se suicidar seguindo um verso de Léo Jaime, trocando o brilho da carreira por uma carreira de brilho.
Resolvi escrever isso tudo porque essa sexta feira 13 que passou foi o último dia de azar na vida de Abelardo Figueiredo, uma das grandes expressões do empresariado artístico nacional. Se não fosse ele, não haveria Maysa, Elis Regina e Ronaldo Bôscoli não teriam se casado( foi padrinho) e O BECO não teria sido uma das grandes casas da noite Paulistana.

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