sábado, 7 de fevereiro de 2009

Rastaman Pray For Nothing

A primeira pessoa que falou de Bob Marley nos meus ouvidos foi o Júlio Barroso. Júlio sabia de tudo sobre o negão e, no meio da década de 70, devia ser o único cara em Ipanema a possuir uma discografia completa do Jamaicano e do Reggae em geral.
Eu, pessoalmente, achava Reggae música meio drakona(mandrix- um “marcha-a-ré” de primeira, tava na moda. Ney e Nelsinho andavam de quatro pelas ruas, completamente tomados. Um escândalo!) e não era lá muito chegado. Achava meio cômodo cantar as misérias da Jamaica e da África queimando quilos de maconha num apartamento londrino.
Não que não houvessem coisas boas, como “Rastaman Vibrations”, “No Woman no Cry”, a versão reggae de Johnny B Goode feita por Peter Tosh, as gravações dos Melodians- incluindo o original de “Rivers of Babylon” e a descoberta de músicos como Pete “Mao” Chung, Sly Dunbar e Robbie Shakespeare- esse último uma das grandes influências de Bi Ribeiro.
Se estivesse vivo, Marley completaria 64 anos ontem, tendo a sua frente uma áfrica igual aquela que cantou as mazelas, só que sem brancos e com negros oprimindo e assassinando negros, no mesmo estilo que os antigos whitemen colonizadores. Irmãos derramando o sangue de irmãos por causa de fortunas em diamantes e outros minerais de mais valia. Tudo está no mesmo lugar e da mesma forma. Nada mudou.

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