quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Resposta Ipanemense

Numa troca de emeios realizada ontem, o Carlos Leonam me perguntou quem eram realmente o Damião Experiença e a famosa mulher de branco, que perambulam por Ipanema, como sombras de um passado, perseguindo seus dias de antanho, numa busca da glória pelo bairro e, talvez, pela cidade onde, no papel e compasso dados pelo destino, grafitaram suas vidas com régua não muito reta e traço duvidoso(madruguei poeta hoje, maninho!).
Conforme a lenda contada de bar em bar, Damião- a quem eu vi recentemente – é filho de um fazendeiro de Itabuna, cheio da grana, e que deixou como herança uma grana afrodescendente(falar grana preta não é politicamente correto), a qual ele vêm torrando com putas, pó e discos independentes há uns 40 anos, não necessariamente nessa ordem. Damião tem hábitos e higiene pessoais semelhantes ao Urubu do reboque(lembram dele? Ficava com o guincho verde estacionado na Francisco Otaviano, perto do Marimbás...), raramente tomando banho ou trocando de roupa.
Músico e compositor, Damião tem temática própria, vivida e conversada tanto em Português como na língua do planeta Lamma, o qual ele já visitou e recebe informações pelos alienígenas que vêm de lá e lhe contam as últimas novidades. O planeta Lamma, com o nome indica, é uma sujeira só, habitado por putas e vagabundos da pior espécie, que vivem nos delírios de Damião. Nosso amigo já gravou independente 9 Lps simples, 15 duplos, três triplos e um quádruplo, pelo selo Lamma, de sua propriedade, prensados na gravadora Hawaií do William Luna. Tenho todos. Não sei se exsistem versões em CD. Todos eles têm a mesma capa em preto e branco com sua foto de divulgação, na qual ele aparece com um gibão da US Navy.
Já a mulher de branco, tão decantada em prosa nas colunas do Joaquim Ferreira dos Santos é a Ana Maria Carvalho, ex-mulher de um Marcos Valle que se separou dela por não aguentar suas traições e infidelidades. Segundo a lenda, Ana foi abusada sexualmente pelo pai, o radialista Luis de Carvalho, figura de detaque nos anos 50/60 e que ficou conhecido nacionalmente pelo primeiro grande escândalo de corrupção de menores da Jovem Guarda, envolvendo ele, Carlos Imperial, Hélio Freitas( executivo da CBS), Cleide Alves, Célia Mara, Osvaldo Nunes, Rossini Pinto e muitos outros. Foi numa das audiências desse processo que Imperial- pedófilo em atos e conquistas- declarou que não olhava a carteira de identidade das mulheres que comia.
Dona de uma voz razoável, Ana tentou a carreira nos anos 70, se lançando como crooner do “Rock Ebó”, que tinha entre seus membros Carleba, ex-baterista de Jerry Adriani, dos “Panteras”(leia-se Raul Seixas) e Perinho Santana, guitarrista, mais tarde músico de um dos baianos( Caetano, se não me engano). Sexy e então tesãozinho, nessa época Ana foi o pivô da separação do casal Maria Cláudia(atriz) e Luiz Carlos Cabral(jornalista).
Hoje, Ana é uma sombra que, entre tatuagens e frases desconexas, vai vivendo pelas ruas de ipanema, como na letra homônima de Erasmo Carlos. Com a morte da mãe, a casa em que moravam(Rua Redentor) foi vendida e ela deverá ir para algum asilo, mais cedo ou mais tarde.
Faltam ainda as histórias de Paulo Bagunça, Ricky do violão, Lauro do Leblon, Chico Meleca, Ratinho, Ray Rola, Teresinha Baden Powell, Teresinha do Tonel, Anabella Drummond e Carlinhos Verdade, as quais eu conto mais tarde.

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