Soube agora de manhã que não era um dos finalistas do concurso de contos do “Prosa & Verso” de “O Globo”, entrando agosto já numa tremenda maré de sapo. Fui até a cozinha pra pegar uns guardanapos no sentido de ficar me assoando( tenho rinite crônica) e, ao passar pelo quarto de mamãe, ela acenou e já fui respondendo um “NÃO” de todo tamanho. “Por quê não?”, perguntou- “Porque tudo que tu vai perguntar eu não fiz”, respondi. Não dormi direito, não fui ao banheiro, não tomei café, não tomei banho e não chutei o cachorro ainda.....”Acho que já é a terceira vez que mando um conto pra lá sob um pseudônimo qualquer. Dessa vez foi Alexandre do Mar. Alexandre por que meu velho pai só me mandava correspondência sob o pseudônimo Alexandre Dumas Filho. Eu e ele formávamos “As Duas Pessoas Desconhecidas”- sempre presentes aos acontecimentos desde tempos imemoriais, numa mistura em partes iguais das idéias de Edgar Wallace com a atitude de um Forrest Gump, para dar um ar mais moderno ao imbróglio mental de nossas discussões históricas, que foram se perdendo a medida que, ao ficar velho, foi se revelando um fascista preconceituoso bem mais a direita que o Paulo Francis que eu via na TV e desconhecia da pessoa que havia conhecido na Rua Clarisse Índio do Brasil. E o do Mar por causa da Débora Dumar, a quem eu não vejo desde a época que transava com a Monique, minha segunda mulher, a quem também não vejo há uma caralhada. Também fui reprovado por ela.
Outra que me reprovou foi uma moto Yamaha que eu tive. Entrei com ela a 80 na mureta da avenida João Luiz Alves(Urca) em 27 de Outubro de 1982. Resultado: quase amputei a perna esquerda, não fosse meu irmão não assinar um termo de responsabilidade. Perdi 80% de movimento do braço esquerdo, fiquei quatro dias leso, sete meses numa cadeira de rodas e , por ainda ter menos de 40, deu para dar uma recuperada boa. To vivo e faço meu trabalho, né?
Também fui reprovado pela música. A batida dos meus grupos sempre foi ruim. Ou a pinga era uma merda ou faltava açúcar. Para terminar, me choquei de frente cuma carreta e a batida me tirou da estrada, me deixando sentado a beira do caminho, vivendo a letra de um “Sol de Primavera” bem antes de sua autoria.
Quem me acolheu direito foi o rádio. Trabalhei nele 16 anos ininterruptos, até a última demissão. Mudei de vida e fiquei seis anos em TV e Jornal diário. E, desde 2000, o meio me mandou pra puta que pariu. Virei autônomo e estou andando. E ser autônomo é ser durango e Zé com fome, pois se tu não corre atrás, tu num fatura. Escrevo bem mais que eu escrevia respaldado por uma CLT. Só que escrevo sem deadline, o que alivia quelque chôse, maninho-quelque chôse! Como chose não tem acento e me sento num assento para digitar e ficar aqui largando prosa em três dedos, como numa Lapa em três tempos. O Samba Enredo manda sua lembrança e eu não tenho medo. Outros agôstos virão e muito mais concursos nos quais me inscreverei. É o que farei nessa vida que levo desde cedo.

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