sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A rapidez que faltava

Voltei mais rápido que imaginava. Voltei à pátria adotiva da bunda music e aos shows musicais de feira de gado, que aqui são bem mais prolíficos que os sabiás que cantam nas palmeiras de Gonçalves Dias. As duplas sertanejas que aqui gorjeiam também não gorjeiam como lá.
Algumas dessas duplas já mostram sinais da doença presencial que contagiou atrações como 14 bis, Rádio Táxi e até o Ultraje a Rigor- que, em seus últimos gorjeios de grandes damas, só tinham shows musicais de feiras para mostrar aquilo que sobrava de seus trabalhos.
Belo Horizonte é uma cidade muito esquisita. Primeiro porque devido a “prudência” que é a tônica de seu meio cultural, nada acontece que tenha a cidade como motor de impulsão. Tudo aqui é reflexo. Diversas atrações internacionais não passam por aqui porque os empresários locais recusam-se a arriscar um centavo que seja nas produções que não estejam completamente amarradas para dar lucro extraordinário e a maioria desses mesmos empresários ainda não entendeu a rapidez das decisões que têm de ser tomadas na montagem de qualquer peça do jogo nesse tabuleiro.
Assim, eventos como Rolling Stones no Mineirão quando eles fizeram a primeira vinda ao Brasil e eventos de segundo escalão porém rentáveis a alguém mais ousado, foram descartados devido ao cagaço(“prudência”) a a atrasos inexplicáveis em respostas e aceites, já que haviam datas e receptividade de público.
Musicalmente falando e apesar da cena local ter algo de destaque, nunca aconteceu um lançamento nacional partido de Belo Horizonte. De Skank a Milton Nascimento, passando por Pato Fu e indo até o passado remoto do 14 bis, tudo precisou do eixo Rio- São Paulo para virar destaque.
Traduzindo em miúdos: as pessoas tiveram que sair daqui e ir ralar bosta em Rio e São Paulo, no tocante a fazer nome, ter público, conseguir um contrato, tocar nas rádios e chegar à parada. Para se ter uma idéia, nem o jabá era decidido aqui. Era a promoção nacional das gravadoras que decidia o que é que ia ser financiado na praça de BH. Faltava rapidez, agilidade e a chamada "mídia técnica"- pois a promoção local era viciada e queria sempre proteger os amigos radialistas que, nem sempre, tinham a audiência que proclamavam ter.
Estou de volta, no ar e bem mais rápido que imaginava. Vamos entrar no ritmo e ver o que acontece.

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