Desde as 8 horas da manhã da última sexta-feira, estamos com os portais de Órion abertos. Quem deve estar em festa é o Guru Ernesto Bono, onde quer que ele esteja. E, nessa segunda-feira, entro no meu quinto dia de um renascimento belorizontino, acordando com os ruídos de uma cidade grande em tamanho e pequena na cultura, sempre tirada a fórceps de uma cena local que só ousa naquilo que é fácil a descoberta e o requebro.Se os soteropolitanos consideram sua cidade beleza pura do Senhor do Bonfim até à Federação, os belorizontinos são obrigados a ver formosura numa Pampulha que borbulha ou num São Cristóvão repleto de poluição. Quanto a trilha sonora, essa oscila entre o brega e a bunda music, bem equilibrada, sem dar a entender o por quê dessa charada, já que a memória musical da cidade é rica , desde Rômulo Paes até o clube da Esquina. Afinal, a vida é esta: subir Bahia, descer Floresta, né mesmo?
Isaac Hayes foi encontrado morto nesse final de semana. O negão tinha 65 anos de piração musical e mental. Acreditava piamente que era o Moisés Negro e que, por caminhos musicais, iria levar os verdadeiros blackies à terra prometida. Ganhou dinheiro prá caraca com o álbum “Hot Buttered Soul”(Stax) e com a trilha sonora de “Shaft”- o primeiro filme a trazer à telinha um super detetive negro. Mandou fazer um trono de ouro para receber os seguidores em audiências estilo Raul Seixas, onde nada batia com nada e tudo era pé sem cabeça. Pirou. Foi internado. Depois, tentou várias voltas e se debateu vegetativamente num cenário que continuava a admiti-lo apenas como figurante. Tentou também o cinema e se deu mal. E veio levando o barco como mais um até sua morte. Vai mesmo é passar a história do pop como mais um verbete e recuerdo de programa de flashback.
Falando de coisas boas, quem vêm a BH são os Scorpions. Como sempre acontece na praça, passam por aqui em uma tour caça-níqueis e vão mostrar a quem for ao Mineirinho apenas uma sombra do que já foram no palco. Estão velhos e acabados, de tanto sexo, drogas e rocknroll. Klaus Meine não dá mais no couro e seus canto em “Still Loving You” hoje é apenas um sussurro do que era há 23 anos, na época do primeiro “Rock in Rio”. quando estouraram nacionalmente. Tinham que ter vindo aqui naquela época e não agora. Quem for ao show vai ver dois grandes guitarristas e alguma coisa legal. Acredito que vá valer a pena.

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