domingo, 10 de agosto de 2008

Pretas nas Brancas

Tem um vizinho de minha sogra que toca um piano de respeito. O problema é que ele resolve espancar as teclinhas às 4h da matina. E ele fez isso nessa madrugada. Acordei com o cachorro latindo e o dedilhado de um “Fascinação” entrando pela janela do banheiro, tal qual a aranha de Steve Winwood( ver Traffic, 1º lp norte-americano. Joe Cocker também gravou algo com o mesmo título). Maravilha completa para quem não está em casa e tá se sentindo um estranho numa terra estranha(casa da sogra).
O repertório desse vizinho da minha sogra é eclético. Passa por “two little things” de Cole Porter, “Black Market” do Weather Report, “New York, New York”, “Ela é Carioca”, “Caminhoneiro”(Roberto Carlos) e vai por aí, num desfile- incluindo repetecos- que foi até quase as seis horas. Como acordado estava, acordado continuei e vim digitar um pouquinho.
E resolvi puxar pela cabeça no sentido de enumerar itens no quesito pianistas dentro do cenário nacional. Tirando os eruditos de respeito, a música popular local deixa a desejar em virtuoses quando se fala no instrumento e em quem o executou no nicho popular.
O primeiro nome que me veio na cabeça foi o de Luizinho Eça- com sua formação erudita e que foi a locomotiva que carregou o piano da bossa nova a reboque. Com exceção do Zimbo Trio, todos os trios de bossa nova tinham a presença de piano que nem a dele. Depois, Hermeto Paschoal, que toca muito piano, como toca muito qualquer instrumento que lhe caia na mão. Hermeto está para a música nacional como Brian Jones estêve para o rock britânico. Tudo que caia em suas mãos é tocável em minutos.
Num segundo escalão, teríamos Tomas Improta, Rick Pantoja, etc. Quanto a Tom Jobim, este nunca tocou piano direito. Tocava apenas um feijão com arroz, ali entre o dó 3 e o dó 6, que dava para o gasto de compor e arranjar.
O BRock foi mais pobre ainda. Produziu apenas um pianista excepcional: Rubinho. Rubinho pode ser ouvido no Lp “Perigosa” das Frenéticas e fez com elas todas as tours, acompanhado pelos ex-Bicho da Seda, que depois voltaram ao seu casulo gaúcho, de onde nunca mais saíram. Quanto a Rubinho, foi transformado em Ruban tentou carreira-solo e depois também sumiu, como sumiram Luciano Bahia, Di Castro e muita gente mais.
Eu gosto do piano como dos outros teclados. Mas ele, especificamente falando, faz falta. Para terminar uma notinha: eu não falei nada sobre Egberto Gismonti porque o considero um pouco mais além na MPB. Se houvesse música progressiva no país, ele seria O cara!

Nenhum comentário: