segunda-feira, 31 de março de 2008

EXTRA É A NOVIDADE!



A TV GLOBO DIGITAL inicia suas transmissões em Belo Horizonte. O Canal escolhido é o UHF 33. Segundo a direção da central técnica da capital mineira, as transmissões começam no final de abril. Essa é a novidade!

Se fosse na época do Geraldão, eu garanto a vocês que ela seria a “TV CULTURA – emissora especial de lançamentos- canal UHF 32”. Ele iria encher o saco do finado Januário Carneiro até que esse mexesse os pauzinhos da pioneiria e do empreendorismo. Geraldão tinha um dos insights mais precisos que eu já vi em termos de tecnologia e ele sempre faria o resultado reverter em algo para a Radio Itatiaia e, em tabelinha, para Belo Horizonte.
Uma das previsões acertadas que ele fez para mim, numa de nossas alentadas conversas, foi que, com o barateamento da tecnologia, haveria o sucateamento da cultura( ex: Bunda music), que, em detrimento da sociedade, continuaria como previlégio da elite endinheirada. Já viram o custo de um CD de gravadora?
A resposta que elas tem pronta é que estão num mercado de concorrência e que não se utilizam mais da arma de consignação. Assim, a culpa fica para o livre mercado da concorrência, utilizado pelo empresariado como justificativa para todas as lesões que praticam. Pirataria por pirataria, a feita pelo crime organizado tem preço melhor. Durabilidade? Quem é o louco que vai exigir isso de um fornecedor que o repõe o danificado- as vezes,- pela metade do preço da novidade(média de R$4.).
A resposta que elas não querem dar é que, dentro de um padrão com uma margem de lucro razoável, um CD de novidade poderia sair por menos de R$20, fosse nacional, fosse importado. Elas( a totalidade daquilo que é chamado de mercado do disco) até hoje se sentem lesadas pelo mercado de tecnologia. Seus “homens de visão”( que eram tão brilhantes que- todos em volta – se sentiam obrigados a usar óculos escuros) ficaram cegos à lei do chip e ao barateamento do hardware na indústria digital.
Hoje em dia, eu tenho possibilidades de- nesta máquina que eu digito – fazer software de fornecimento de conteúdo tão bom quanto qualquer um estabelecido neste propósito. Há 20 anos atrás isso nunca seria possível para mim – um profissional da coisa. O custo me obrigaria ao trabalho escravo de frequência a plantões/horas bunda em redação.
Hoje, eu atualizo três sites, tenho uma banda de música eletrônica( O Laboratório de Sons Estranhos), esse blog e ainda encho o saco de muita gente- ou enviando/ recebendo o que eles acreditam ser “spam”, com correspondência não solicitada- regra válida para os dois lados do cabo de guerra- literalmente falando(he!he!he!). Há 20 anos atrás, para fazer isso eu iria dormir menos que quatro horas por dia. Hoje, eu tenho os fins de semana para fazer o que eu quiser.
Hoje só não é multimídia quem não quer. Graças a Deus, não são todos que pensam como a indústria cultural e os defensores da propriedade intelectual. Eles se esquecem que nada substitui o talento. E, não respeitando essa regra básica de quem pratica o negócio, lá vem o brasil descendo a ladeira cultural e toda uma ética de concorrência. Esta última( ética), abalada com a entrada no mercado de “ sociedades sem fins lucrativos”, na verdade pilantrópicas ( de pilantragem. Ex: ongs, igrejas, telemarketing, venda de cadastros, etc.). Que se proliferam como “worms”( vide software de proteção de direitos da sony-bmg).
Se não fosse o talento e a microinformática , quem acreditaria no talento do inventor da tecnologia p2p? E do.mp3, e do .jpeg?
A resposta que elas não qurem dar é que essas novidades seriam brecadas pelo cartel que explorou a multimídia e que hoje, pela propriedade intelectual, tenta socializar as mesmas barreiras impostas à elas( totalidade da industria do disco), para que atuassem, sem concorrência, na época da ditadura militar. Elas eram coniventes com o então processo político( ver matéria sobre o SCDP – censura federal – publicada ontem em O GLOBO). Elas abominam o corretamente político. Quanto ao politicamente correto, isso são outros quinhentos.
O que eles( industria cultural) tentam continuar a fazer é dar vozes a alguns escolhidos como vítimas de um faturamento lesivo em vez de democratizar verdadeiramente o acesso aos meios de expressão( vide a “política de escolha” para quem quer participar do BBB). Um exemplo disso está no filme “Domino – caçadora de recompensas” exibido ontem no telecine action(domingo)e que mostra o esquema de produção de um “reality show” rentável em audiência.
Comemoro o aniversário do golpe de 1964 com essa sucessão de “hojes” e “respostas”, que deve se perpetuar nos próximos 500 anos, com cada lado envolvido sempre tocando tapas e beijos e seu cast escolhido por pesquisas de opinião nacionais, feitas em São Paulo Capital. Aguardem!

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