quarta-feira, 5 de março de 2008

O Poder da Mensagem

Foi o nome de um programa apresentado pelo Hélio Ribeiro, radialista megalomaníaco, mitômano e ,segundo ele próprio, onisciente. Sabia de tudo. Queria ser presidente da república. Seria uma versão paulista e bem anterior ao Anthony Matheus, amigo do Silveirinha desde garotinho. Só que Hélio Ribeiro tinha bem mais inimigos que amigos, coisa que no Matheus é bem equilibrada. Para quem discordar, é bom lembrar que 15 milhões de votos é coisa para caceta. Ou não?
Mas, voltando ao poder da mensagem, ele se manifestou para mim. Um compadre lá de dentro da alma, que me ligou hoje depois de muito tempo, falou uma coisa certa. Existem novidades que não estão se exibindo. E, as vezes, são bem melhores que as novidades que o marketing tenta transformar em necessidade e não consegue. Exemplo? João Kleber. Outro? Maria Rita. Mais um que vai acabar virando suco? Miguel Fallabella, ainda mais agora que virou cineasta. Meu compadre assinala que todos aqueles que rotulam os ingredientes que darão fim a multimídia nacional não vão para a rua catá-las ou ouví-las. Esperam sentados que novidadess batam na sua porta.
O jornalismo saiu a cata de novidades na época em que Brício de Abreu pontificava e descobriu uma bossa nova em termos de música. Quem leu Ary Vasconcellos confundir Bob Dylan com Donovan Leitch foi a luta e aprendeu inglês para ler o original. Quem queria ouvir Rock Nacional teve a “Maldita”(Fluminense FM) como porta-voz, numa mensagem que trouxe de volta o conflito nas letras de Renato Russo, jogando toda a contestação de Chico Buarque na lata de lixo mais próxima da estante onde estavam aqueles vinis que foram trocados num sebo por CDs de Bruno e Marrone.
A mensagem foi moda e hoje é acessório do fashion. Daniela Ciccarelli quer aparecer mais que o entrevistado, suplantando Jô Soares em estrelismo, enquanto o Ronaldo Fenômeno fode o outro joelho e agora é apenas um pai desejado por todas aquelas que querem ter um filho e deixá-lo bem amparado. Só que existe um problema, brothers!!!!!
O problema é que o poder da mensagem está corrompido, deturpado, banal e tentando criar dificuldades para vender facilidades. A propriedade intelectual e a visão neoliberal que ela engloba estão no centro desses debates. Até o affair Daniel Dantas esbarra neles.
Catar novidade é uma obrigação. Apesar de natação em releases ser o esporte mais praticado pelo dito jornalista cultural que atua nas redações da multimídia, está na hora de um backing to the roots generalizado. Os Stones fizeram isso e tão na estrada até hoje como um evento atual. Onde estão os Beatles? Quem é que acreditaria, há uns 20 anos, numa predição de uma mãe Diná qualquer, na qual ela afirmasse solenemente que Michael Jackson ia ser levado ao banco dos réus? Ainda mais por......pedofilia? Esses sensacionalismos que temperam o marketing e a notícia inverteram de posição na matriz geradora e a recíproca resultante não é verdadeira. É uma mentira. E os últimos a saber dessa péssima notícia serão justamente aqueles que se propõem a mexer com ela como fonte de dados.
Apesar do poder ainda inexplorado, a web poderia ser uma saída. Assim, não entendo o porque de ONGs e outras tribos contraculturais estarem retrocedendo ao panfleto e a outras mídias no sentido de se autodivulgarem. Isso também está na “OutrasPalavras” que eu reli, gostosamente, ontem a noite.Só para terminar: o lance sobre Jabá publicado por ela soa ainda mais infantil que na época do lançamento, além de completamente Leninista, ao estilo “O que Fazer”. Em 1917 funcionou. Hoje, não dá, né? Olha o terceiro milênio aí, gentiboa!

Nenhum comentário: