terça-feira, 18 de março de 2008

O Elvis que não morreu



Zé Bonitinho foi um Elvis que sobreviveu a quatro décadas de televisão em genero, número e grau. Criado por Jorge Loredo na cola do ídolo da chamada juventude transviada, a caricatura superou o caricaturado em vida e bom humor, já que the pelvis não passava de um amargurado em seus últimos dias de Graceland. Era apenas um mito com pés de barro.
Se partirmos para um corte epistemológico a respeito de fama e mito, seria melhor para muito artista sobrevivente nesse terceiro milênio se resguardar no mito em vez de ficar se expondo em opiniões, ditos e sábias falas, tudo a procura de um refletor. Isso também é válido para ex-presidentes da república, cineastas com um vazio na cabeça e sem camera na mão, jornalistas sem jornal, colunistas sem coluna e promoters sem promoção. Assim, Léo Jaime, Rita Lee, Beth Carvalho e Fernando Henrique Cardoso não passam de farinha do mesmo saco, com uma desmedida coragem para falar bobagem.
Estamos no auge do politicamente correto. Estamos revivendo o clima foucaltiano de vigiar e punir, mascarado por um liberalismo inexistente o qual serve apenas como justificativa para que figuras públicas e ditos vips exerçam o banal de seus atos e sejam glorificados como grandes figuras, apesar de não passarem de pequenas personalidades, sem a capacidade cultural para exercerem a função de auxiliares de escritório, na procura de um tempo que não perderam e cismam em jogar fora. É isso o que acontece hoje.

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