Numa constatação profissional e pessoal, o veículo rádio sofreu grandes modificações nestes últimos 20 anos, tanto técnicas quanto em formatos. O Rádio musical segmentou-se em demasia. A procura de nichos musicais no formato levou a segmentações absurdas, como o MelodicMetal-qualquer baba ou farofa cantada em inglês cósmico com guitarradas, se formos pegar algum como exemplo.
Ainda falando em formatos, o eclético praticado nos anos 60 e 70, chegou ao terceiro milênio fragmentado em eclético própriamente dito(Tupi AM RJ, GloboAM , Jovem PAN 1), semi-eclético( ItatiaiaAM BH e algumas em outras praças) e naquele AllNews chatérrimo praticado pela CBN e violentando completamente a regra de negócio radiofônica.
Um exemplo da violência é manter o Sardenberg como âncora. Seu padrão de voz é horrível, bem pior que o do falecido comentarista Osvaldo Faria. Sardenberg pode ser um ótimo profissional de jornalismo, mas é um péssimo locutor. Como o básico no rádio é som e voz, basta ouvi-lo para saber um dos porquês da CBN estar até hoje na cabeceira da pista, ensaiando uma decolagem que nunca vai ser efetivada.
Como tudo muda e muito pouca coisa evolui, mudou o rádio e mudei eu. Ambos mudamos para pior. Eu estou velho e chato. O rádio está restrito a quem ainda o carrega como ferramenta indispensável ou ouve a sua transmissão obrigado, como o usuário do transporte coletivo.Suponho que as novas FMs( vide Paradiso)estejam sendo feitas para o ouvinte errado.O público ao qual ela se dirige troca arquivos .MP3 e.OggVorbis pela Internet.
Falando em ouvinte, a CNET FORUM está divulgando uma pesquisa feita com assinantes de provedores em escala planetária( O Terra/Lycos é um deles), sobre “quem ouve o quê”. A pergunta feita na enquete foi “Em que espécie de aparelho portátil você ouve música”. Veja o resultado:
MP3 Player com HD – 28,9%
CD Player - 18,1%
Não gosta de música - 17,9%
MP3 Player com FlashMemory – 14.2%
Radio AM/FM - 10.0%
Radio Satélite - 9.6%
Não responderam - 1.2%
Apesar da pesquisa ter sido feita com quem acessa a rede, ela é reflexo da tendência que determina uma reversão acentuada da teoria básica da informação, transformando o receptor padrão de mensagem no usuário atuante que interage com o veículo. E, dentro dessa premissa, a reversão da expectativa quanto as FMs é flagrante, já que elas são os veículos abertos de maior audiência a transitar no Jurassic Park em que se transformou o cenário rádio. E, ao que tudo indica, restritas ao músical chato e a voz cósmica que atrapalham a conversa dos usuários nos pontos de ônibus.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
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