segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Agonizo mas não morro !





Samba -Alguns sempre me pegaram desde pequeno. Ataulfo Alves(“Quero morrer numa batucada de bamba/ Na cadência bonita do samba”), Monsueto, Nelson Cavaquinho, Heitor dos Prazeres, Donga, João da Bahiana, Moreira da Silva, Dorival, Dick Farney, Lúcio Alves e uma variedade de artistas do rádio se entrecruzavam nos meus neurônios numa cacofonia surda, num mix com marchinhas de carnaval, Lamartine Babo e aquele Lp que ele gravou nos anos 50 com todos os seus sucessos.
Eu via coisas na TV como o programa diário do Gilvan Chaves e quando ia chegando o carnaval, a TV Tupi transmitia os programas de auditório da rádio, onde todos aqueles cantores que- aos poucos estavam morrendo artisticamente- como Zilá Fonseca, Mara Silva, Célia Mara, Lucienne Franco, as Irmãs Batista(Linda e Dircinha), Bill Farr, Francisco Carlos, o próprio Cauby, Orlando Silva e muita gente mais, desfilavam ao microfone da PRG3, cantando de tudo- que, para mim, não passava de samba.
A Beatlemania entrou de sola na cultura eletrônica da minha adolescência por vontade da ditadura militar. Com o arrôcho cultural imposto, de forma gradativa, toda a iconografia e sonoridade de guitarras, baixo e bateria foram introjetadas dentro na minha consciência pelos sete buracos da minha cabeça.
Na verdade, o conflito de gerações foi um ingrediente básico para que “Love me Do” e outras entrassem na minha mente como pérolas de um novo cancioneiro, o qual não ficaria muito impressionado com a tropicália , mas sempre teria Tim Maia e Jorge Ben como referencial. Mais tarde, o popsambalanço de Lulu Santos e o funk diluído de Claudinho e Bochecha prosseguiriam na mostra que só love é que faz a cabeça. Violência neca.
A Bossa Nova entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Standards como os de “Os Cariocas”, Wilson Simonal e o seu “ A Nova Dimensão do Samba”( capa e áudio impecáveis), “Vinicius, Caymmi e Quarteto em Cy no ZumZum”, “Gemini V”, o primeiro do Tamba Trio e Eumir Deodato foram absorvidos na época e no tempo certo. Já o resto era uma malaiada danada. Trio de Bossa Nova nascia na calçada que nem erva daninha. Uma merda.
Outra coisa que não me chamou muita atenção foi a Tropicália. Passei um verão ao som de “Soy Loco por Ti”, que serviu como trilha sonora para agarros e mais agarros em frente ao Caparaó ou na pedra do Siribeira( Guarapari). Me liguei mesmo foi nos Mutantes, deixando Caetano, Gil, Piti( “Espuma Congelada” – alguém lembra?) debatendo sobre Cultura e Civilização. Posteriormente, comecei a deglutir música brasileira pelas beiradas do prato. Comecei pelo instrumental, mais precisamente por Deo Ryan e o Época de Ouro. Depois, ouvi e reouvi o antológico “Jacó, Zimbo Trio e Elizeth no João Caetano”, que, anos mais tarde, comprei uma cópia no sebo do Fernando com a capa em frangalhos, mas com um áudio aceitável.
Acredito que voltei a ser um produto zona franca com 80% de nacionalização a partir da chegada do BRock . Ouvi tudo e de todos, inclusive os execráveis Marcus Isnard & Zero e Dr. Silvana. Vim até Charlie Brown Jr. Nesse ponto, aderi ao Classic Rock e estou nele, graças a deus, com d minúsculo mesmo, pois um com letra maiúscula teria preservado meus ouvidos de Luiz Caldas e toda a sucessão de Axé Music que se sucedeu, dentro dela Carlinhos Brown e respectivos tribalistas. Acredito que, no céu, não precisarei ouvir Ivete Sangalo em tudo o que é esquina. A cultura contemporânea Brasileira não a merece como ponta de lança. Nem ela, nem Boninho nem Ali Kamel.
Deixando de falar bobagem, finalizo mais esse arrazoado com os Ramones mostrando a todos como era o rocknroll no rádio que eu ouvia em menino.

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