Nesse sábado, fui dormir cedo. 22h eu estava na cama, com uma garrafa de vinho branco na idéia e sem idéia de nada acontecendo. Deitei junto com muié e cachorro e acordei hoje as cinco e meia. Vim pra cá pru teclado e fiquei brincando, vendo os portais e alguns chats proibidões atrás de uma inspiração que não pintou.Quanto a música, não vi nada de interessante, já que a morte do Zé Rodrix não foi nada interessante. Ele era um cara cheio de guéri guéri, mas como todo geniozinho que tem noção do talento, foi com sede demais ao pote e atirou em todas as direções, não acertando em nenhuma. Zé foi o Tom Cavalcanti da música nacional. E ficou por isso mesmo.
Se ele apostasse um pouco mais na fase Latino-americana e seguisse a diretriz do Robert Livi( que foi quem planejou o lance), Zé estaria hoje no mesmo pé que o Raimundo Fagner chegou. Tem gente que conhece o Fagner e nunca ouviu falar do Zé, não sabendo nem que ele é o autor de “Casa no Campo”.
Aconteceu com o Zé quase a mesma coisa do que aconteceu com o Sergio Sampaio e o Paulo Diniz. Ilustres desconhecidos no cenário da música Tupiniquim. E não só os três. Mais exemplos? Luiz Guedes, Tomas Roth, Carlinhos Vergueiro, Gilson, Chico da Silva, Luíza Maria, Rick Ferreira, Marcelo e uma infinidade de gente que vêm sentando a beira do caminho desde que começou a haver registro da música popular.
Aí um dia, um pesquisador estilo Zuza Homem de Mello escreve um livro, copiando as listagens de catálogos de gravadoras e faz um monte de “descobertas”. Foi nessa que redescobriram o De Morais, autor da versão “Oh Minas Gerais”, cantor de rádio que morreu afogado no álcool e esquecido em Juiz de Fora.
A arte tem dessas coisas, sendo igual ao panelão do futebol. De mil protótipos, um apenas chega a ser profissional de peso graças ao talento. E isso é insubstituível. Pode se ter cancha, mas sem talento, o indivíduo será sempre mais um alguém na multidão.

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