quinta-feira, 12 de março de 2009

John Lennon ainda rende algum!

O perfil musical, completamente irreverente e engraçado( segundo palavras de seu filho Julian) é o que se sobressai no livro “John Lennon - A Vida” (tradução de Roberto Muggiati, 840 páginas, R$ 69), da autoria de Philip Norman, que a Companhia das Letras lança hoje em São Paulo e Rio de Janeiro.
Um tijolaço que, se não traz nenhuma revelação bombástica, aprofunda questões controversas como a quase relação sexual que manteve com a mãe, a diversão que tirava de deficientes físicos e o uso das drogas iniciado com o baseado fumado com Bob Dylan.
Não é o primeiro nem será o último livro a tratar dos Beatles, individualmente ou dos Beatles como grupo musical. Na minha opinião de leitor, todos os anteriores( o primeiro que li foi o de Hunter Davies, ainda nos anos 60- meio romanceado e com passagens ditadas por Brian Epstein)foram bons dentro daquilo que se propuseram.
Segundo quem já leu “John Lennon- a Vida”, o interessante de todo o depoimento é o destaque que ele dava a amizade e a convivência com Ringo Starr que, apesar de ser uma figura apagada, vivia sempre de bom humor e era o companheiro que segurava a onda de John nas barras mais pesadas. John dizia a todos que Ringo era o único “homem comum” que ele conhecia e devido a ser comum, Ringo era um cara feliz e na dele.
É sempre bom lembrar que Ringo foi o único integrante do grupo a continuar amigo de todos os outros três e, devido a isso teve a primazia de tocar em “all things must pass”(George Harrison), ser-durante mais de uma década- o “go between” entre Paul e John na discussão das questões de direitos e licenciamentos. Segundo ele(Ringo) era quando ele trocava informações entre “Mr. Paul” e a “Sênior Yoko”.
Ringo esteve presente a todos os aniversários de Julian(era o Tio Ringo, que sempre levava o melhor presente)e tocou bateria em “Too Late For Goodbyes”, faixa do Lp de Julian que foi a primeiro na Billboard.
A grande impressão que tenho sobre John Lennon foi me dada por Raul Seixas, que me contou a conversa que teve com o ex-beatle em NY sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis. Segundo Raul, apesar da cheiração desenfreada, o papo discorreu em ordem e lógico sobre tudo o que foi assunto. Raul me confidenciou que, naquele papo, ele teve a certeza que a Yoko alimentava os vícios e as paranóias de John para poder dominá-lo, pois foi ela que trouxe o pacotinho para o lugar onde estavam, o mostrou a John e se retirou, alegando ir cuidar de Sean. Segundo Raul, a dominação era total, pois ela é que fazia tudo na casa.
Assim que o livro chegar na Siciliano mais próxima, vou ver se pego um. Vale a pena.

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