domingo, 8 de março de 2009

Confissão ao balanço da Hora

Sempre gostei de batidão. Fosse Rock, fosse roll, fosse qualquer coisa que o valha, com o ritmo cortando a carne como navalha, espremendo o coração contra os músculos do peito, me deixando com falta de ar, sem respirar direito, nublando a visão com a fumaça de artifício do refrão rimado.
“Aumenta que isso aí é Rock and Roll” é o grito sublimado, junto do palco, no gargarejo, se não sei a letra eu solfejo, se não sei a música eu pulo. Quero bem mais que um passo a frente. Quero rock de qualquer maneira. Quero música. Quero ritmo.
Comecei com Bill Haley e Elvis nunca fez cabeça. Até Chubby Checker prá mim foi melhor. Não deu pra entender isso, Até Raul me achou maluco. Elvis nunquinha, nem Pat Boone, Nem Neil Sedaka. Gostei de Paul Anka e Bobby Darin. Gostei de muita coisa vocal e instrumental, sem tirar nem por do caldeirão. O que sempre valeu foi a mistura e ela que faz a cabeça.
Nunca fui de fã-clube, nunca corri atrás de autógrafo nem foto. Sempre gostei de disco e de lista, fosse parada, mais vendidos ou a mais executada. Música sempre serviu para me excitar ao extremo, aumentando a libido e me levando ao delírio.
Sempre fui um colonizado. Sempre gostei do importado em detrimento do nacional e nunca fiz reserva desse mercado.Nunca gostei de cópia e Jovem Guarda até ser deglutida demorou um pouco. Achava Rock nacional coisa de suburbano. E era mesmo. Galera que ia aos programas morava na Piedade, Campo Grande, Sampaio, Lins etc. Quem morava mais perto morava na Tijuca.
Ouvia Metropolitana, Mayrink, Tamoio e Continental. Mundial veio depois, já ensaiada num show musical que trouxe Big Boy e muita coisa mais. Via programa na TV e achava o Imperial muito suburbano também. Rock era coisa de Zona Sul, inferninho e Lambretta. Praça do Lido, motocicleta, roupa preta e jaqueta de couro. Bicheiro é que usava ouro. Do anel ao dente.
Camisa volta ao mundo e sapato Globe Trotter. Ninguém usava tênis. Blusa de Ban lon bordeaux e alguns jeans. Mais nada . Roupa era isso. Esse era o roteiro e o modus operandi. Todo mundo andava assim, como de uniforme. Isso era uma brasa. Tremenda curtição. Você ouviu?

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