terça-feira, 10 de março de 2009

ContraculturaX Anticivilização

Voltamos a conviver com a contracultura no proibido e no não permitido. Todos os dois itens compõem o calcanhar de Aquiles da sociedade, onde ela não é invulnerável.
Se nos anos 60/70, o proibido e o não permitido eram drogas e sexo livre, hoje o proibido é o crime organizado e o não permitido é a pirataria. A tecnologia fez da pirataria a contracultura do presente. Não se sabe o que o futuro nos reserva, pois o crime organizado, ao exercer o proibido, vai fazer de tudo para continuar faturando explorando o não permitido em todas as suas variações.
Até chegar a pirataria como meio e mercado, a tecnologia alimentou a contracultura fornecendo poderio às pessoas que pensam a margem e, usando a tecnologia, simplificam processes e barateiam meios, tornado o inatingível tão comum como nota de dois reais, seja no fabrico, seja no valor declarado.
Usando a afirmativa acima como trocadilho infame, um CD pirata sai hoje para o Capitão Gancho por dois reais, incluindo a capinha. Se ele vendê-lo a seis reais?Não há indústria fonográfica estabelecida que resista esse golpe. Todos saem ganhando. O Pirata- que fabricou e vendeu seu produto com uma margem de lucro brutal, o comprador- que pagou o valor atribuído e o artista- que teve seu trabalho divulgado.
Quem perde? O executivo- que não recebeu seus espúrios direitos conexos, a editora- que não arrecadou e paga ao artista direitos para explorar seu trabalho e a Indústria, que gastou material e estúdio para gravar o trabalho do artista.
Numa análise lógica e essencial da coisa, o detentor da propriedade intelectual do trabalho- o artista- ganha pelos dois lados: A pirataria o divulga e a industria cultural arca com seus custos. Não existe uma subtração lógica. Existe a certeza que os dois lados dos quais ele – o artista – é ponta, entram em conflito.
Se a civilização é constituída de sociedades que atingiram à perfeição respeitando direitos e deveres, o conflito entre estes últimos simplesmente nos mostra que a anticivilização está se constituindo célere, já que direitos e deveres perderam sua eficácia como instituições respeitáveis e respeitadas.
Na verdade, o que todos nós queremos é uma ampla revisão em todos estes textos. Necessitamos de um novo tudo. Estamos coexistindo com a inexistência pura e simples. O não existe começa a se tornar uma possibilidade concreta. Esse é o alerta. Não somos, não temos e não iremos a parte alguma.

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