terça-feira, 31 de março de 2009

Animal Tracks

Esse post é dedicado àqueles que tem uma pessoinha canina em casa e que é completamente possessiva, egoísta, só quer saber dela, mija em todo lugar só prá me sacanear, etc e coisa.
Uma coisa é certa: não existiram grandes cachorros no pop rock. A não ser o Boo, do Lobo(“Me, You and a dog named Boo”), que andou pelas paradas no anos 70 e o cachorro canibal de Ted Nugent(“Dog Eat Dog”). Cavalos existiram vários. Os Stones criaram cavalos selvagens(“Wild Horses”). Um deles foi até título de Lp(“Iron Horse”- BTO) e o mais famoso deles- o do América- nunca teve nome conhecido.
Falando de cobras e lagartos, John Lee Hooker teve a sua “Crawling King Snake”, cuja gravação definitiva ficou a cargo de Elvin Bishop, num lp obscuro do final dos anos 70. O Heavy Metal produziu o Whitesnake- meio disgusting e o rock carioca dos anos 60 os Red Snakes. Já lagartos, o mais famoso deles pertenceu a Jim Morrison, que o homenageou em “Celebration of the Lizzard”- clássico não muito executado dos Doors, pois é uma música chata demais.
Outros bichos? O Them gravava na Parrot Records. “Eye of The Tiger”(Survivor) fez um sucessão, da mesma forma que Cat Scratch Fever”(Ted Nugent). O Cream tem seu instrumental menos famoso(“Cat Squirrell”) dedicado a um gato. Já Al Stewart decupou um filme na letra de “Year of the Cat” e foi a primeiro na Billboard. Chuck Berry(“Too Much Monkey Business”) e Eric Burdon(“One Monkey Dont Stop The Show”)falaram de macacos. O Floyd de porcos(“Pigs”) e por aí vão. Hajam animais de estimação, né mesmo?

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Euforia Incentiva o Progresso?

Sarah Vaughan estaria fazendo 85 anos nesse 2009. Sarah deve ter sido a mais influente cantora do Jazz no que diz respeito a tendências e foi ela a primeira a gravar Milton Nascimento em Inglês, numa versão de “Travessia” que deve até hoje causar engulhos ao Fernando Brant.
E se ela estivesse viva, garanto a você que, em vez de referência, seria participante completa dos remixes de Alan Freeland, Lalo & Bushawaca. Acredito que ela se renderia a essa inovação e admitiria um DJ no line up do grupo que a acompanhava.
Miles Davis seria outro que não deixaria essa tendência passar batida, pois a sua última gravação("The beebop song") não passava de um rapzinho mais pop que outra coisa, numa re-deglutição do gênero, coisa que ele já havia feito num trabalho dos anos 80( "Pop").
Quem está acompanhando a série “Rock at 7 Age”, da VH1, e viu o episódio sbre os progressivos, realmente sacou que o Floyd sempre foi um tributo a egos. Primeiro, o de Syd Barrett. Depois o de Roger Waters. E quando este último deu uma de Luiz XIV(“aprèz moi le delùge”), se fudeu mal pago.
Por outro lado, rever Peter Gabriel fantasiado de ameba e com aquele logotipo da GAFISA na cabeça, trouxe ao pensamento que, em algum lugar e há algum tempo, houve gente que achava que o progressivo era a solução. Lulu Santos, Sergio Dias Baptista e Luiz Paulo Simas mandam lembranças.

domingo, 29 de março de 2009

Vai chuva!

Essa manhã chuvosa de domingo não está lá sendo boa comigo. Me excedi no Amarulla ontem e estou cuma ressaca daquelas. Acordei com um guarda-chuva na boca e, nesse momento, o cabo ainda se mantém galhardamente, dando aquele gostinho todo especial, me deixando completamente enjoado até ao tomar os remédios que sou obrigado toda manhã. Uma merda.
Esperando uma melhora física, dei uma passada de olhos na “Veja” e vi nela uma grande matéria sobre a música erudita no século XX. Trata mesmo e do condicionamento político dos criadores em relação às suas obras.
A matéria assinala que Copland foi o primeiro erudito a tocar no rádio. Discordo. Se formos considerar o rádio como veículo puro, diversos eruditos tocaram no rádio ao mesmo tempo que Copland, principalmente nas transmissões britânicas dos anos 20 que deram início à BBC. Não houve primeiro nem segundo, como aconteceu no Rock.
A primeira composição erudita a ser gravada por uma banda de rock foi a “Missa em Fá Menor”(David A. Axelrod), pelo Electric Prunes, em 1967. Por uma cagada histórica, o lp foi lançado no Brasil e eu tenho um exemplar.
Mais tarde, o Deep Purple gravou seu concerto com orquestra sinfônica, o Procol Harum registrou um repertório pseudo-erudito com uma orquestra canadense e Keith Emerson começou, ainda no The Nice, com sua esquizofrenia erudito-sacal.
Sinceramente falando, não sou lá muito chegado a essas manifestações rotuladas de progressivas. Prefiro mais o Tangerine Dream e mesmo o Mike Oldfield. “Zeit”(Tangerine Dream) é um exemplo de como o eletrônico pode chegar a essa perfeição. Outro exemplo é “Departure from North Wasteland”(Michael Hoenig).
Hoje, tudo isso virou tremendo baticum, sintetizado na música dançante sintetizada. Nada pode deter o progresso, né mesmo?

sábado, 28 de março de 2009

Prosa&Verso

Ontem eu sentei o rabo numa Siciliano e resolvi dar uma olhada nas novidades sobre história militar – uma das minhas paixões. Peguei na bancada o “Moscou 1941” e um novo, da Larousse(esqueci título e autor) que traz mais uma visão sobre a problemática existente na relação entre Stalin , Churchill e Roosevelt.
Essa será( vou comprar o livro) a oitava biografia ou trecho literário de existência terrena que leio do homem que, pelos seus próprios meios e na sua visão própria de mundo, consolidou a revolução bolchevique. Para mim, essas variantes valem pelas existências periféricas que vão sendo descritas, como as de Molotov, Livtinov, Timoschenko, Kruschev, Ribbentrop, Sir Anthony Eden, Ribbentrop, o General Köstring( adido militar alemão em Moscou) ou então as entrevistas e depoimentos de ilustres comuns desconhecidos, que mostram o chão de solo do conflito, com combates corpo –a- corpo, remoções para a Sibéria, execuções, como elas se procederam,etc.
E aí que dá para se realizar a dimensão e a extensão de um conflito que escreveu a geopolítica que reinou até a chegada do Aiatolá Khomeini à Teerã e o início do fundamentalismo islâmico- força nada desprezível nesse mundo que vivemos, já que ela atinge quase dois terços da população da terra.
Outra das minhas paixões é a literatura sobre indústria cultural, música & quejandos. Para quem gosta e ainda não encheu o saco da Beatlemania, a nova biografia de John Lennon deve ser um prato cheio, já que algumas revelações nunca dantes feitas estão lá, como a relação incestuosa entre John e a mãe, a convivência com suas irmãs e o tratamento nada convencional dado a ele pela consorte Yoko.
Achei também um livro sobre guitarras clássicas, elétricas e acústicas(“The Vintage Guitars”), com fotos fantásticas de instrumentos como as primeiras Gibson eletro-acústicas e algumas National Steel lindas.
Já a respeito de DVDs, venho acompanhando as coleções da “Folha” e a da “Veja”. Já peguei um “Iluminado”, não cou pegar “O Vento Levou” e vou acrescentar uma série de coisas novas ao meu arquivo implacável, recolhido em quase 40 anos de garimpagem. Inté!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Tirofijo ou Tiro Certo?

Se nos anos 60 o must era a contracultura, hoje, a cultura de rua é o lance legal, porém completamente elitizado. O Rap chegou a zona sul e o funk saiu da quadra do subúrbio para o clube socialite. Quanto ao pagode, este ficou tão diluído que qualquer boteco do leblon(RJ), Savassi( BH) ou Jardins(SP) tem a sua roda nos finais de semana.
Da mesma forma que a elite cooptou e se apropriou da contracultura nos anos 70, o terceiro milênio assistiu ao rap ser cooptado, o pagode sair do barraco para a cobertura e os concursos de “dança-da-bundinha”(funk) se incorporarem as festinhas de 15 anos de socialites descoladas, com direito a fotos nas revistas de chiques e famosos.
Esse determinismo sócio- comportamental é repetitivo que nem relógio. A arte popular, em sua criatividade, gera espontaneamente eventos que- dentro da ciência da estatística- tornam-se moda pela sua repetição e incidência universal. A partir daí, a cooptação é o próximo passo do algoritmo. A fórmula é essa e vêm sendo a mesma desde que a indústria cultural passou a ter registro e referência.
O grande exemplo no sentido de acompanharmos esse trajeto é o caminho transversal que a programação de TV vai incorporando, a medida que vai se perpetuando. Luciano Huck apareceu para a “fama” com um programa diário nas tardes da Band, repleto de “novidades” que começaram a se tornar moda entre o público, como a “Tiazinha” e “Joana Feiticeira”, tão marcantes que chegaram a ter vida própria. Mais tarde, ao ser contratado pela Globo, ganha um programa semanal(diminuição da freqüência de exibição), aos sábados(troca de universo de audiência).
O mesmo aconteceu com Faustão, Serginho Groissman e outras ditas marcas televisivas, as quais os conglomerados as vezes exibem massivamente, as vezes congelam ou as vezes ignoram, em horários inacessíveis aos seus antigos públicos- como foi o caso de Gastão e é o caso de Serginho Groissman.
No disco, a repetição de processos e procedimentos foi maior que a troca e o investimento em novas faixas de público, no sentido de abrir ainda mais ao universo à penetração do artista.
Roberto Carlos vêm representando musicalmente o mesmo roteiro romântico-piegas há mais de 25 lançamentos, trocando apenas o nome das faixas e a ambientação da capa, dirigindo a um público, dito apaixonado, uma música bolerizada, cantada em português para o Brasil e num castelhano sofrível para o mercado latino. É um caminho a ser seguido, pois em sua cola vêm Fernando Mendes, José Augusto, Michael Sullivan e Ricardo Braga. Se Roberto & Erasmo foram os compositores dos anos 70, Sullivan & Massadas foram os dos anos 80, Xitãozinho e Chororó os dos anos 90 e Zezé di Camargo & Luciano os da atualidade.
O único nicho onde a criatividade deu mostras e a renovação no gênero foi patente é o cinema. Graças a Deus, perdemos Glauber Rocha e os zumbis do cinema-novo, trocados pela Conspiração Filmes, Andrucha Waddington, Fernando Meirelles, Lázaro Ramos e todo um catálogo que vai desde “Central do Brasil”, passando por “Tropa de Elite” e indo até “Cidade de Deus”.
Se no cinema, Deus realmente mostrou que era Brasileiro e nos livrou dum monte de malas, porque nas outras artes e na literatura ele não foi patriota? Fazer o quê? Porque só o determinismo e a cooptação contam para as outras e não para a sétima arte? Que tal um paredón cultural? Os AR-15 existem. Só falta ir lá alugá-los que nem assaltante de banco.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Motown é tremenda coroa cantada por todo mundo!

Recebi o seguinte release da Universal:" Desde Sexta-feira passada que estamos comemorando os 50 anos da maior gravadora que já houve na história da música pop norte-americana:A Motown.
A história da Motown teve início nos anos 60 e o seu som ressoa até hoje. Com 135 primeiros lugares na Billboard, os sucessos da Motown continuam até hoje a ser ouvidos em comerciais,programas de TV, filmes e continuam a ser uma referência no trabalho da maioria dos artistas pop".
Aí entro eu: A Motown não foi só uma gravadora. Foi o primeiro símbolo negro, em termos culturais , na luta contra a segregação racial. Seu surgimento deu um fim aos chamados "race records"- lançamentos exclusivos para negros feitos pelas gravadoras.
A Motown fazia discos para todos utilizando somente artistas negros, com seu diretor-proprietário, Berry Gordy( considerado por alguns maior que Phil Spector), criando o Motown Sound- Um fenômeno planetário, adorado por milhões, numa história que só poderia acontecer na América. E todo o mundo podia cantar junto.

O primeiro sucesso planetário da Motown foi "Stop! In the Name of Love", que colocou The Supremmes no topo da parada em três dias! Em duas semanas, todas as grandes rádios da terra executavam massivamente o maior sucesso do grupo. Depois vieram The Four Tops("Reach Out´ll be There"), Marvin Gaye(I Heard It Through The Grapevine") e o carrossell de hits interpretados pelo Jackson Five, Diana Ross, Stevie Wonder, Mary Wilson, Commodores e Lionel Ritchie.
Uma das homenagens que serão feitas ao acontecimento é o programa "Motown 50", da Radio Express, que será apresentado por Smokey Robinson, com a participação de todo o cast sobrevivente dos selos originais. Serão oito horas de programa e, aqui em BH, quem deverá transmití-lo será a Radio 98.
Mudando radicalmente de assunto, Felipe Machado assinou um post em seu blog, crucificando aquela débil mental que a mãe batizou de Mallu e leva o sobrenome Magalhães. Ele falou certo e eu assino embaixo. Eu também sinto vergonha pela pobreza que ela exprime, numa anorexia verbal digna de surda-muda, se comportando folclórica num jeitinho Folk-se toda. Ela e o Marcelo Camelo se merecem, da mesma forma que Joana Feiticeira e Vitor Belfort se merecem e Luana Piovani e Dado Dolabela já se mereceram. É muita banalidade e mediocridade junta. Porra!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Trevas & Trovas

Depois de uma chuva que não aconteceu, a CEMIG- manda-chuva da energia aqui no Estado- resolveu fazer forfé e nos deixou quatro horas e meia com a energia variando entre 80 e 130 volts, numa oscilação inexplicável. Não seria melhor cortar a energia e nos deixar as escuras?
Aí, tirei tudo da tomada e resolvi encarar, no lampião, o que sobrava para eu terminar a “Trilogia Suja de Havana”, do Pedro Juan Gutierrez. No livro, o ex-jornalista descreve o que teve que fazer para fugir a recessão dos anos 90 em Havana e mostra todo um comportamento contido num país em crise, onde os governantes abandonam a população a própria sorte, que morre de fome e de falta de higiene.
Para quem conhece bem o Rio de Janeiro e a Capital Cubana, não existem muitas diferenças. Havana está entregue a uma revolução falida que- entre outras coisas- vive do tráfico enquanto o Rio está entregue ao tráfico, que promove- a sua maneira – uma guerrilha urbana revolucionária.
Pelos escritos de Gutierrez faço um comparativo e vejo a Centro Havana como a esplanada do castelo, Praça XV e Saara, enquanto o Malecon é a Beira-mar e o Aterro. Fico imaginando, pela lógica cubana, o que aconteceria a nós- população num todo- caso os Josés Dirceus e os Wladimires Palmeiras tivessem ganho a luta armada.
É bom lembrar que Gutierrez tinha nove anos quando Fidel entrou em Havana, foi educado de forma revolucionária, foi jornalista revolucionário, teve tudo de bom e do melhor, inclusive esse desencanto com o real, o qual transitou por uma realidade revolucionária até desembocar num virtual reacionário, impelido pelas necessidades básicas do sobreviver em um país abandonado.
Falar sobre a “Trilogia Suja de Havana” é mandar um recado para aqueles que ainda acreditam que houve pureza doutrinária, revolucionária e socialismo de massa numa Albânia de Enver Hoxha, numa Coréia do Norte de Kim I Sung e mesmo numa Cuba de Fidel. Quem vai a Varadero e visita Havana sabe do que estou falando. Quem esteve na Isla de Piños durante os anos 60-70 também. Eu um dia acreditei nisso. Já acreditei até em Deus!(fui coroinha).
Já faz uns 20 anos que eu acredito na cultura. Por ela, indivíduos trocam informações. Basta saber ler, escrever e ter os sentidos funcionando. Cultura não tem nenhuma contra indicação e não possui prazo de validade. Vejo isso na minha mãe, que fez 89 anos no sábado passado e é uma fera nas palavras cruzadas. Vez por outra ela me liga para eu servir de dicionário enciclopédico.
E por acreditar em Cultura, acredito em Pedro Juan Gutierrez, Tomzé, Bukowsky, Pitty, Burroughs, Kerouac, Célia Cruz, Willie Colon, Gilberto Gil, Marcos Valle, John Fante, Orson Welles, Groucho Marx, Angeli e todos aqueles que estão no imaginário que povoa meu coletivo sonhador e delirante. Saravá Mestre Fuleiro! Viva a Serrinha! Saravá Bateria do Salgueiro!