terça-feira, 6 de janeiro de 2009

The Times? They Are A Changin

Não é necessário saber prever o tempo para sentir que o vento mudou de direção. Até em sua pátria de origem, o neoliberalismo dançou. O Estado voltou a interferir pesado na economia antes que o bando de irresponsáveis que havia tomado conta do setor se apropriasse indebitamente dos ativos existentes.
Como a economia é que é a base de toda essa porcaria que vêm acontecendo na sociedade, é previsível uma completa modificação em uma série de outras regras de negócio, dentro da filosofia sintetizada na já famosa frase “ o bater da asa de uma borboleta na China provoca um furacão no altiplano Peruano”.
Pegando o atual processo em que se desenvolve a regra de negócio da indústria cultural, temos dentro dessa regra, atualmente, vários planos e dimensões paralelas, se interagindo internamente e se desconhecendo uns com os outros. O caso mais gritante é o do mercado editorial que, devido a uma série de injunções de marketing, direitos autorais e de interesses, não reflete 30% das possibilidades e da criação existentes, com o restante encontrando divulgação marginal ou pela rede mundial, via PDFs. O livro é um dos produtos que mais se ressente com a chamada propriedade intelectual e da forma de como ela vem sendo praticada.
Já no caso do fonograma, a interferência que desmontou o mercado foi tecnológica. O barateamento e a miniaturização dos equipamentos de gravação e produção industrial abriu as portas do mercado a toda uma multidão que, antes da chamada revolução tecnológica, estava marginalizada e dependia da indústria cultural até no sentido de fazer um demo do seu trabalho. A derradeira pá de cal foi a invenção do MP3, cujo formato de pequenas proporções possibilitou um tráfego rápido pela rede, além de tornar possível a inclusão num CD de 100 arquivos, onde antes, no formato CDDA, o máximo permitido não passava de 20.
A reação a toda essa novidade tenta impor, de forma legal, caminhos de retrocesso para que o Status Quo não se modifique tão drasticamente. Os exemplos são vários e todos traduzidos nos projetos de lei que visam controlar a Internet, cujo controle é impossível de ser feito pelo modo tradicional conhecido. Não há mais como interferir e, por seu lado, a rede não aceita essas interferências.
Dentro da Macroeconomia básica existem dois universos: o mercado e o “grupo das pessoas que pensam a margem”. Enquanto eles existirem, sempre haverá uma forma de se burlar qualquer controle. A burla irá determinar uma nova forma de equilíbrio entre oferta e demanda e assim será para todo o sempre.Isso é inalterável. Modificar esse processo é como revogar a lei da gravidade.

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