Com o início de mais um ano estilo Cassiano(“Mais um ano se passou/ Estou ficando velho e acabado”), os mesmos problemas que acometem nossa cultura voltarão a ser discutidos e o mesmo impasse voltará a tona, já que não existe interesse visível de nenhuma das partes envolvidas em resolvê-lo.O Problema chama- se discurso cultural. O que fazer com ele? Ele tem direção? Na minha modesta opinião de 40 anos de janela lidando e sendo fascinado por esta coisa complexa, acredito que exista gente que saiba o que fazer com ele. Arnaldo Bloch, Arthur Dapieve e Arthur Xexeo são três deles. São legíveis in extremis, tem assunto para escrever e sabem ordenar as letrinhas numa carreira fantástica. Na produção e direção de imagem, também tem gente boa fazendo coisa boa como suporte para um discurso extremamente interessante. Quem já assistiu a “Baiano Fantasma”, “Para os que Estão em Casa”(DVD do Toni Platão)e a “Chorinho”( Produção do Canal Brasil) sabe do que digito aqui. E, no mercado editorial, coisa boa existe, com um suporte repleto de idéias para qualquer gosto e segmento, pois da estante da livraria à PDF na Internet você encontra o que quiser, acreditando eu ser a mais sortida das facetas deste discurso cultural tão sofrido e ameaçado.
A ameaça começa na forma de escrever da própria língua. Estamos iniciando mais um daqueles “acordos definitivos” que intelectuais com consciência plena(?) firmaram, no sentido de apaziguar egos lingüísticos, filológicos, gramáticos, ortográficos e até- Quem Diria? – lusófonos. Mais uma vez vão mudar a receita da coisa e afastar uma parcela que, aos poucos, vinha se chegando as lides de redigir. Todos voltam a ser ignorantes a respeito da língua que falam e o discurso gráfico volta a ficar diferenciado do discurso oral pela enésima vez.
No vídeo, a geração de imagem é um desencontro completo. Na época da HDTV, a geração de imagem continua a viver um século XX com todos os seus defeitos. Quem assistiu ontem a um “Faustão” e têm algum princípio de visão crítica, notou que, do programa de ontem para a frente, a tendência vai ser piorar ainda mais o conteúdo e a encheção de lingüiça, no sentido de liderar uma pesquisa de opinião flagrante- feita exclusivamente em São Paulo – para tentar comprovar a um anunciante que o produto dele foi “bem vendido”.
Já a TV paga teima pela repetição pura e simples, com o mesmo filme programado em dois canais diferentes no mesmo horário de exibição. Aconteceu uma vez em Novembro e outra agora no meio de Dezembro. As novas temporadas de seriados, anunciadas para novembro agora estão sendo anunciadas para fevereiro.
Mais nada fica tão sem sentido quanto a tragédia pela qual passa a Música Brasileira. Falar dela é como chutar cachorro morto. Está em crise e, pelo visto , vai continuar em crise, pois não existe nenhuma solução estrutural a vista. A regra do negócio mudou e ninguém acordou a tempo para se adaptar ao novo padrão. Está na hora de mudar a coisa e se adaptar à Convergência Digital.
Até o fim desse texto, não havia nada de novo no sentido de perdoar o pecado cultural que vêm sendo cometido do lado debaixo do Equador. Pode ser que apareça algo para depois do carnaval. Até lá, o eixo Rio-Sampa vai viver em função de corte de samba-enredo, gravadora não tem suplemento(tem ainda?) e livros só os que estão na estante. Nem futebol decente a gente vai ter para enganar a tarde de domingo. Que merda, né?

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