quarta-feira, 30 de abril de 2008

LINDO SONHO DELIRANTE



Albert Hofmann, ‘pai’ do LSD, morreu ontem, em casa. O químico suiço tinha 102 anos. Sua morte foi devida a um ataque cardíaco. Hofmann descobriu o ácido trabalhando para a Roche, em 1938. Só foi provar a invenção, acidentalmente, em 1945.
Até a experiência multidisciplinar promovida por Timothy Leary e Ken Kesey- quando os sintomas causados pela ingestão do LSD foram descritos de uma forma menos catastrófica e mais entusiasta, a droga permaneceu restrita ao mundo da química. O LSD passou a ser considerado um estupefaciente no final dos anos 60, quando foi inscrito no “Drugs Act” pela FDA e, a partir daí, criminalizado- como a heroína e a cocaína.
No Rock, a influência do LSD começou a se revelar com a entrada em cena do chamado Flower Power musical, originário de San Francisco e que teve seu apogeu em Monterey e perigeu em Woodstock – três dias de amor e música – conforme seus empresários.
No Brasil, a experiência teve seu sentido fake na composição de Carlos Imperial "Lindo Sonho Delirante"- gravada pelo Fábio, logo após seu hit "Stella", também da autoria daquele que, para faturar, pegou carona em tudo o que pode, desde o Rock até a turma da pilantragem(lembram?)
As bandas mais significativas desse segmento foram o Grateful Dead, o Jefferson Airplane, o Blue Cheer( batizada com a designação de um tipo de ácido), o Blues Magoos, Country Joe & The Fish e o Experience de Jimi Hendrix. Como personalidades do período temos o próprio Hendrix, Jerry Garcia, Timothy Leary, Abbie Hoffman( nada a ver com o Albert Suiço), Jerry Rubin e o Rainbow Party. Foi comum durante os anos 60 a criação de grupos de rock como starters de movimentos políticos e bandeiras desfraldadas( vide o MC5 e The Fugs).
A experiência wikipédica contida nesse textículo serve apenas para marcar o óbito de Albert Hofmann, pois sem sua descoberta, muita loucura na popmuzik e no rock and roll teria passado batido. É isso.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Onde anda essa gente?!

Esse baixo Zemaitis que você vê na foto pertenceu a Ronnie Lane e está hoje integrando a coleção de instrumentos musicais do britânico John Quaisley. Com ele, Ronnie integrou o Faces até sua substituição por Tetsu Yamauchi, o único japonês conhecido pela história do rock inglês e, possivelmente, mundial. Ronnie hoje está impossibilitado de exercer qualquer atividade devido a ser portador de esclerose múltipla, doença que, quando diagnosticada em homens, é arrasadora e de progressão rápida.
Outro desaparecido é Peter Frampton. Segundo o que se diz, hoje ele se apresenta como guitarrista da banda de Ringo Starr. Um outro que tive notícias ontem é Dahni Harrison, filho de George e apontado como o músico mais rico do mundo, tendo em caixa 320 milhões de dólares- bem mais que Paul McCartney, que, de divórcio em divórcio, vem perdendo a grana que ganhou com Beatles e Wings.
Atravessando o oceano e invadindo o USA, a pergunta que não quer calar é o que que aconteceu com o MC5? Desde “Living in USA”(Atlantic – e que me roubaram!), nunca mais. O Wayne Kramer chegou a voltar em um compacto nos anos 70, mas depois foi tragado pela máquina. Onde estão Jack Casady? Jorma Kaukonnen? Hal Blaine tá vivo ainda? E o Leon Russell?
Quanto ao Johnny Rivers, esse tá vivo e vem ao Brasil se apresentar em São Paulo. Vai tocar tudo aquilo que todos conhecem, incluindo aquela versão melosa de “Do You wanna Dance”, que foi o seu maior sucesso aqui nessas plagas. Dentro daquela minha política de preservação de imagem, não vou sair de casa para ver a peça, pois quando interessava vê-lo, ele nem sequer deu as caras. Os únicos que vieram foram James Brown, Chubby Checker, Herman´s Hermitts e o Trini Lopez.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Imagem X 1000 Palavras



A foto ao lado está para o rock da mesma forma que a foto do Che batida pelo Korda está para a história contemporânea. Esta foto de Janis foi clicada por Bob Seidemann em San Francisco,!967, um pouco antes do Big Brother & The Holding Co se apresentar no Festival de Monterey, revelando sua vocalista ao mundo. Ela foi poster da “Rolling Stone”, tanto na edição original quanto na primeira versão Brasileira que, desculpem-me seus leitores de hoje, foi bem mais impactante que essa versão que anda por aí nas bancas, que já teve capa fake com Caetano e até com Ivete “aargh!” Sangalo.
Naquela época jurássica, o slogan “uma imagem vale mais que mil palavras” era interpretado ao pé da letra. A famosa foto de Jagger com cartola na tour de 71 deve ter contribuído em muito para o total de vendas do “Exile on Main Street”. Do mesmo jeito, certas fotos de Jimi Hendrix ao vivo devem ter catapultado vendas da maioria de seus albuns fora da discografia oficial.
Jim Marshall e Annie Leibowitz eram tão ou mais influentes com suas fotos que Lilian Roxon e Ben Fong-Torres com seus textos. Hoje, qualquer “paparazzi” bundão têm sua foto de Carol Castro entrando na farmácia publicada em n revistas escandalosas. Bundão por bundão, eu prefiro ver as fotos óbvias da mulher- melancia.
Na verdade, a única imagem que continua a dar o que falar é a registrada nos clipes. Tô querendo muito ver o novo clipe da Madonna, mas até agora eu não dei sorte dele passar quando estou zapeando na TV a cabo. Qualquer hora dessas eu consigo. Inté.

domingo, 27 de abril de 2008

Achados e Perdidos

Recado de lojista: O principal motivo para o fechamento dos pontos de venda é uma mudança de comportamento do consumidor, que a indústria cultural não consegue acompanhar nem impedir. Ele simplesmente não compra mais discos. Ele baixa todas as músicas de que gosta na internet, acompanhando faixas e deixando bandas e artistas de lado. Um dia ele ouve uma coisa, no seguinte, outra coisa totalmente diferente. É uma outra cultura, um outro jeito de consumir música.
Segundo esse lojista meu amigo, ele cansa de falar isso com os vendedores das gravadoras que cobrem sua área e nada acontece. No tempo em que eu trabalhei nesse mercado, a voz das vendas era ouvida por todos dentro de uma companhia. Era essa voz que regia o comportamento de todos- da produção artística até a promoção em RTV.
Onde é que anda o Zé da Gaita(foto)? Conheço o Zé desde 62, bem antes dele arrumar uma marine band e ficar famoso no Colégio Pedro II como o Zé Maluco. Antonio José Tinoco Laforgue estudou comigo e com o Chust no Santo Agostinho, ficamos sem nos falar até 68 e depois sempre nos encontrávamos em jam sessions onde o que se fazia era tocar stones até encher o saco. Com a morte de “O Peso” ele, o Gabriel, o Vicente e o Constant fundaram o “Flamboyant”- que se apresentou no festival de Saquarema(74), organizado, filmado, empacotado, varrido por Nelsinho Mota, completamente dracão e repleto de champagne. Depois, veio esse compacto e o ...............onde é que anda o Zé?
O título do post de hoje me remete à época dos “Secos & Molhados”. Devido ao sucesso da banda de Ney, João & Gerson, começaram a aparecer clones com títulos estilo “Achados & Perdidos”, “Razão Social”, “Marca Registrada”, “Café & Bar”, etc....... Título por título, o melhor que eu conheci até agora é o de uma carrocinha de cachorro quente podrão que anda aqui pelo Leblon: “Au...Augusto”!

sábado, 26 de abril de 2008

Um Problema Particular



-Tá feia a coisa! Para que o embaixador norte-americano no País, Clifford M Sobel escreva um artigo no “O GLOBO” desse sábado, afirmando que a pirataria é um problema de todos, acredito eu que a indústria máter, sediada na terra dos grandes irmãos do norte, deva ter dado uma pressionada daquelas no Departamento de Estado, para que este tomasse alguma iniciativa.
Apesar desse blog versar sobre popmuzik e rock and roll, resolvi tomar uma atitude em resposta ao texto, que considerei canhestro e completamente calhorda, ainda mais por ele ser publicado num jornal diário de um país onde a exclusão a qualquer nível continua a ser a tônica para 60% da população.
Acredito que a defesa da propriedade intelectual não obrigue aqueles que tenham um pouco de consciência política e sintam na pele a mais-valia a que todos os segmentos são submetidos por seu exercício( propriedade intelectual), a ler textos tão venais e corrompidos como o redigido pelo embaixador e/ou seu ghost writer.
Distorcendo fatos e conceitos, o texto informa que, em 1995, mortes numa epidemia de meningite ocorrida na Nigéria poderiam ter sido evitadas caso a patente de uma vacina fosse respeitada. E que em 1988, um xarope preparado com substância adulterada matou bebês na Índia e no Haití. Citando estes três exemplos, Sobel assinala que se, a propriedade intelectual dos idealizadores destes produtos – vacina e xarope – tivessem sido respeitadas, isto é, o preço pedido fosse aceito sem tugir nem mugir, as vidas teriam sido poupadas.
O embaixador na defesa não poderia ter sido mais infeliz na coleta de exemplos: Nigéria, Índia e Haití. Países que, como é sabido por todos, tem um índice de qualidade de vida abaixo de qualquer crítica e onde nem os respectivos governos tem caixa para bancar o pagamento de patentes Ao citá-los, Sobel partiu para o nível do surreal. Porque ele não citou Taiwan, onde os direitos e patentes norte-americanos ou de qualquer país de primeiro mundo nunca foram respeitados? Ou Singapura?
Estes dois países asiáticos não possuem nenhum mecanismo para proteger a propriedade intelectual e estão entre os 27 países mais bem sucedidos industrialmente, contrariando outra afirmativa do embaixador na defesa, assinalando que aqueles que não protegem a propriedade intelectual ocupam os últimos lugares em termos de crescimento econômico. Outro país que não dá a mínima para a propriedade intelectual é a China. E, como é sabido, seu crescimento econômico e suas exportações são zero a esquerda, né mesmo?
Pode até ser que a esperança de todos em futuro melhor dependa de invenções e inovações de pessoas criativas e dedicadas. Mas essa esperança não está diretamente amarrada ao pagamento de direitos extorsivos pelo uso dessas invenções e inovações. Precisamos sim é de uma revisão no direito autoral que discipline a propriedade intelectual em um formato aceitável e acessível. Só assim todos poderão dizer não à pirataria, coletivizando aquilo que hoje não passa de um mero problema particular das indústrias e do capital.

O Retôrno da Múmia - Parte 2


Segundo Tutty Vasques, Os Mutantes tocam às 3h da madrugada deste domingo no palco da Virada Cultural na Avenida São João, em São Paulo. O que talvez esclareça porque Zélia Duncan deixou a banda. Um visitante do blog assinalou que “ Alguem tem que avisar os caras dos Mutantes que estamos no século 21 e que as apresentações deles deveriam acontecer lá no Sesc 3a. idade... Já foram, já foi. Até o Romário parou...”
Na minha visão da coisa, esse retôrno da múmia seria a mesma coisa, guardando as devidas proporções, que Ringo e Paul convocassem uma coletiva no Cavern Club, dizendo loas e boas e anunciando a volta dos Beatles, tendo nas guitarras Peter Frampton e Hamish Stuart, e marcando o lançamento de “Help Please!”, DVD para registrar a idéia antes que alguém tivesse algum problema de saúde sério. Todo mundo ia “adorar”, não ia?
E se a Gretchen, depois de mudar pra Recife, casar, separar depois de levar porrada do marido, ter a filha dizendo-se sapatão e cobrando R$ 3 mil por entrevista para relatar sua experiência homo, resolvesse voltar a sacudir a celulite? Já imaginaram que coisa boa para a Cultura em geral? Só ia faltar uma “reunion” com a mulher-melancia, né mezz????
E, como homenagem aos meus três leitores, segue ilustrando esse post uma foto de divulgação da Gretchen, feita na época do lançamento da “Melô do Xique-Xique”. Favor reparar no look pombagira da garotona.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Recordar é Viver – Parte 2

Dentro desse processo de digitalização de meus vinis, só para mudar um pouco de sistemática , resolvi dar uma olhada nos compactos- que eu sempre guardei para uma eventualidade profissional e também pessoal. Muita coisa eu dei de presente, mas também muita raridade ficou guardada. Os exemplos são vários e vou citar alguns aqui.
Gretchen e sua “melô do xique-xique”. A composição, se é que podemos dizer assim, é do Sam Malnatti, um argentino radicado em sampa e que, durante algum tempo, produziu ela, as melindrosas e machucou aquelas carnes todas, incluindo a mãe, não necessáriamente nessa ordem geral. Mr.Sam chegou a ter um programa de rádio na America AM 1410(SP), mais ou menos na mesma época em quie o Jacques tinha o “Caleidoscópio”. A Copacabana Discos era a casa das coisas esqusitas, como Gretchen, France Jolie e outras invenções menos votadas, numa produção completamente indigente em qualquer termo. O chefe de promoção era o Flavinho- uma das figuras mais escrotas que conheci no meio. No Rio, a divulgação ficava por conta do Joãozinho Tapecar- um alambique ambulante que quando me visitava deixava minha sala com aquele hálito de coopersucar.
Candeia lançou pela WEA “Ao povo em forma de arte”, samba-enredo de sua autoria para a GRES Quilombo, fundada por ele, cxom o auxílio luxuoso de Paulinho da Viola e Sergio Cabral. O compacto foi extraído do Lp produzido pelo Guti e um dos últimos trabalhos do sambista gente boa. A gravação é fantástica.
Quando passou pela gravadora Eldorado, no final dos anos 70, Raul Seixas gravou um compacto dirigido “a sivulgação com “Discagem Direta Interestelar”- que eu considero um de seus momentos infelizes, já que a letra (Kika) é fraquésima, caso olhemos trabalhos anteriores e posteriores do The Pelvis soteropolitano. O que valeu, para mim, foi o recado, em papel timbrado, que veio dentro do compacto, entregue aqui na porta de casa, e que ilustra este post. Assim que eu descobrir mais coisas, eu falo a respeito.