sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Delírios, Visões e Lendas

Paul McCartney foi o grande destaque da premiação do MTV Europe Music Awards, realizada ontem, em Liverpool. De acordo com a Reuters, O Beatle, que já está com 66 anos, recebeu o título de "Ultimate Legend" (lenda definitiva) durante a cerimônia.
Pessoalmente, não levo a sério esse tipo de premiação desde quando, ainda nos anos 70, Alice Cooper inventou o troféu “Living Legend” e saiu premiando um monte de “famoso quem?” pelos USA a fora. Depois, vieram a profusão de Emmys, Globes, Latin Emmys, Clip Awards, Awards Awwards e por aí vão awards sté não poder mais, com todo mundo que seja “intere$$ante” ganhando o seu e levando para uma daquelas estantes repletas de objetos bizarros que a maioria dos produtores e empresários aparecem ao lado, com big charutões espetados nas bicancas.
Para mim uma legend se forma numa combinação de forças e características não só oriundas do talento ou do dom que a propalada legend possua. Exemplo? Jerry Lee Lewis é uma legend. Willie Nelson outra. Dennis Hopper é uma legend. Billie Holiday foi uma legend a seu tempo. Mário Reis, Ciro Monteiro, Nelson Cavaquinho, Carmem Miranda, Raul Seixas e Linda batista foram legends, cada uma ao seu estilo e a seu tempo.
E tem outra: o critério de uma legend se formar no imaginário coletivo é bem pessoal. Fica por conta de cada um. Na minha visão, Paul McCartney nunca será uma legend como John Lennon foi e George Harrison muito menos. Já Mick Jagger é bem mais legend que Keith Richards, Rod Stewart e John Mayall. Clapton é uma legend. Peter Frampton também. Já Robin Trower não passa de um bundão.
E, terminando essa minha diatribe, encerro com um grupo que eu considero uma legend acabada e perfeita. The Jefferson Airplane. Todos eles são figuraças, incluindo a minha musa desesperadora, Grace Slick- que bem poderia ser meu travesseiro verdadeiro e não só imaginário. Sou louco por eles e considero o seu disco ao vivo - ainda nos anos 60 – como uma das melhores coisas que já ouvi em toda a minha vida.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cultura e Civilização - Parte 2

Estamos ou não estamos a um passo da utopia? Nossos ídolos são os mesmos dos nossos pais? A saber, John Lennon, Toni Tornado, Martin Luther King Jr, Arlete Sales, James Brown, Wilson Simonal, Pelé, Curtis Mayfield, Sidney Poitier, Robert Nighthawk e uma série de artistas, brancos e negros, que lutaram contra as formas de preconceito em vigor no planeta, desde que a mídia fez por onde levar todas as vozes a todos os cantos?
Eu ainda acho que não, pois o preconceito existe e , por incrível que pareça, está ao nosso lado, escondidinho da silva. Existem ainda em bairros chiques e classudos, muitos senhores que discriminam seres humanos instituindo entradas e elevadores sociais e de serviço. Apartamentos de luxo são vendidos com DCE- “dependências completas de empregada” e o subemprego ainda marginaliza grande parte da população a quem a chamada elite sempre roubou os meios e os caminhos para que ela tivesse uma finalidade específica, especializada e recebesse o merecido e não dentro dessa mais valia exploratória que o sistema institucionalizou.
Apesar da eleição de Barack Obama estar sendo considerada uma vitória sobre o institucional da dominação e a realização do sonho pelo qual Martin Luther King discursou aos pés da estátua de Abrahan Lincoln, eu, dentro da MINHA visão crítica, considero a escolha de Gilberto Passos Gil Moreira para Ministro da Cultura por Lula como um dos maiores golpes que o preconceito racial disfarçado recebeu em toda a sua história.Um fato tão importante quanto o resultado dessa eleição que consagrou um negro como o cavaleiro da esperança de lá- um New Rider of the Purple Sage bem ao estilo Zane Grey.
Aqui foi preciso um governo eleito pelo povo mostrar a todos aquilo que alguns sempre quiseram esconder- a negritude da nossa cultura. E lá aconteceu a mesma coisa. Foi necessário o povo correr atrás para mostrar aquilo que todos sabem e alguns ocultam – a chicanização da cultura wasp.
E é essa chicanização que vai acabar com o ranço Bush e o seu neo-liberalismo venal, que transformou um país organizado em escombros(Iraque) e que quase destrói- em proveito de alguns executivos – a economia de maior consumo que já existiu na história do homem.
Numa análise fria e calculista, a eleição de Obama não vai significar muito para nós. Vamos continuar a ser o quintal do Departamento de Estado e, com a possível estatização de alguns setores da economia de lá, protecionismos virão e nossas exportações vão dançar a dança que eles colocarem no player, já que eles são nossos maiores consumidores a qualquer nível.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Let´s Go !

Hoje eu vou dar uma de Navegador lusitano e singrar mares nunca dantes navegados por mim, falando de algumas bandas que existiram ou ainda existem, mas que, no meu entender, foram apenas uma curtição de alguns, apesar de carrearem muitos admiradores e colocarem música na parada. Lá vai!
Você conhece o New Riders of the Purple Sage? Pois é: a banda nasceu em 1969, na cena psicodélica de San Francisco e continua na ativa, sendo sua música mais conhecida a faixa “Panama Red”. Jerry Garcia, Mickey Hart, Spencer Dryden e muitos outros conhecidos do Grateful Dead, Jefferson Airplane e Big Brother and The Holding Company passaram por ela. Garcia foi Pedal Steel Player e o grande guitarrista David Nelson, um desconhecido que já foi do Big Brother logo após a saída de Janis Joplin e de Sam Andrews. O título da banda foi tirado de um clássico de Zane Grey, livro que eu devorei na minha fome adolescente, pertencente a meu avô, que o tinha em Teresópolis e que eu, então com 18 anos, roubei e está comigo até hoje.
O Moby Grape foi um dos melhores símbolos da alucinação que San Francisco viveu no final dos anos 60. A música da banda refletia uma série de influências e o seu álbum de estréia( ouvir “Omaha”) foi um estouro. Skip Spence, ex-baterista do Jefferson Airplane era seu mentor e guitarrista. Devido a pressões internas e externas, o grupo perdeu o pé e o segundo álbum “Wow”, foi considerado a grande decepção do ano(1969). Apesar de ter gravado mais material, o grupo foi impedido de usar o nome pelo empresário Matthew Katz, que o tinha sob registro.
Também oriundo de San Francisco e também do mesmo período, O Blue Cheer foi um dos powers trios que deu orígem ao Heavy Metal. Seu Lp de estréia “Vincebus Eruptum”, traz uma clássica versão pesada para “Summertime Blues” que chegou entre as dez mais de 1969. A banda lançou alguns albums até o final dos anos 70, quando encerrou os trabalhos.
Das três bandas citadas acima, só não tenho muita memória para o New Riders. Quanto ao Moby e ao Blue Cheer, tenho o material que interessa, pois esses dois grupos eram simplesmente indescritíveis numa primeira audição, por serem diferentes de tudo o que estava em voga. Ainda mais devido ao ácido Blue Cheer, que apareceu no pier e que, segundo as fofocas, foi quem fez o cartunista Chacal se converter ao evangelismo, num dos primeiros casos de maluco tristeza conhecidos da galera. No mais, o lance era botar o volume no talo e ligar o foda-se para a vizinhança.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

November Rain

Eu estava comletamente sem assunto até que resolvi ir ao Google e procurar algo que tivesse acontecido há 40 anos, em novembro de 1968, no cenário Rock. 68 o flower power estava explodindo e San Francisco e a Swingin London mandavam no mundo pop. Aí, pensei:”Quem namorava quem? Sério ou muita sacanagem?”. Achei de tudo um pouco, selecionei três histórias e elas estão aí abaixo. Bom proveito.
Paul McCartney e Jane Asher- Ela tinha 17 anos quando ela viu os Beatles pela primeira vez 18 de abril de 1963. Eles estavam escalados para o Swingin Sound da BBC e Jane era uma das extras contratadas para gritar assim que o grupo fosse anunciado.
A matéria sobre os Beatles com a foto de Jane gritando histéricamente apareceu no Radio Times de dois de maio de 1963. Nesse mesmo dia, Jane conheceu Paul e os dois namoraram até o final de 1968.
Jim Morrison e Grace Slick- Segundo um depoimento de Grace para a “Rolling Stone”, o Jefferson Airplane e The Doors fizeram juntos uma tour pela europa em 1968. No início da excursão, nada aconteceu, pois os dois estavam namorando e cada um tinha seu par. Mas, no meio da viagem, os dois rifaram os respectivos e começaram a conversar mais animadamente até que, numa noite depois de terem se apresentado- em Oslo ou Estocolmo- Grace não lembra ao certo – Jim parou em sua frente, abriu as calças e puxou seu pênis para fora. Ela olhou e pensou:”Puxa, como ele é grande”. Gostou do que viu e os dois se dirigiram para o camarim dele, se beijando. O namoro durou até o natal.
Donovan e Jenny Boyd – Jenny foi a inspiração da canção “Jennifer Juniper”, composta por Donovan quando este viajava pela Índia. Os dois eram amigos, mas, segundo ela, não lhe interessava ficar com Donovan, já que ela queria mesmo era um caso cheio de romance. Assim, ela preferiu namorar Mick Fleetwood, já que esse queria mesmo um caso sério e não uma brincadeira. Já pensaram isso acontecendo em 1968?
E aqui não era muito diferente. Quem quiser saber das coisas basta dar uma olhadinha no livro do Zuenir e vai saber quem comia quem naquele tempo, há exatos 40 anos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Decadance Without Elegance

Minha música está ou é bastante decadente e vêm descendo a ladeira a cada procurada que eu dou para ver se ela ainda é notícia. Só ouço falar de Ivete Sangalo, Cláudia Leite, NXZero, Charlie Brown Jr e outras coisas que não me dizem absolutamente porra nenhuma.
A partir da constatação que Latino vira notícia ao mostrar que tem medo de altura e que Viviane Araújo sambou que se acabou sábado próximo passado na quadra do Salgueiro( ela faz isso um sábado sim e o outro também), começo a viver a síndrome que Jota Efegê viveu em final de carreira, ao ver espaço para o que escrevia negado, só de vez em quando algo seu saindo publicado em “O Globo”, sob a guarida do próprio Roberto Marinho.
No meu caso específico, a síndrome se manifesta na constatação de que aquilo que eu admiro estar, aos poucos, perdendo espaço para uma novidade bem ctrl-c/ctrl-v, pois isso que o rádio toca já foi feito antes. Hoje eu ouço cópia ou regravação. Novidade? Nem ainda que tardia.
Aí vem alguém e me fala de Black Ice, do AC/DC. De novidade não têm absolutamente nada, pois a batida é a mesma desde “Rock and Roll Damnation”. Eu gosto? Adoro. Acho a banda a melhor coisa no rock hoje. Melhor para o meu ouvido só Rolling Stones.
Quanto a propalada Tour do LedZep, se ela passar pelo Brasil, não vou ir nem tentar. Não vou dar importância a uma coisa que hoje não têm mais lugar a preencher no meu imaginário. Tudo deles já foi feito. Um morreu, o outro se recusa a cantar. Prá quê ir lá? Para passar raiva e ficar fazendo comparação? Never, My Love- Jamais em tempo algum.
Não fui ver Police da mesma forma que não vou ver Queen com Paul Rodgers. Me recuso terminantemente. Não tem a mágica, uai?!
Não fui ver Brian Wilson solo e Roger Waters exatamente por causa da falta dessa chama mágica. Never be the same, man! Não adianta. Seria a mesma coisa que Paul e Ringo recrutando dois bons guitarristas e refazendo os Beatles. Não teria apelo. Seria uma coisa decadente ao extremo. E passar vergonha pelo vexame dos outros é coisa que me recuso a fazer. Ponto Final. Até na Decadencia um pouco de finesse é necessário. Vide Guilherme Araujo e Jorginho Guinle. Gente fina é outra coisa.

domingo, 2 de novembro de 2008

As Sete Máscaras da Morte

Aquela batida de porta e a risada de Vincent Price que estão no final de “Thriller” foram tiradas do filme que dá título a este post. E, como hoje é dia dos mortos, nada melhor que uma soundtrack bem lúgubre para este dia em que lembramos todos que ficaram sentados no caminho de qualquer gênero musical.
Apesar de ouvidos e re-ouvidos, com seus títulos sempre na lista dos mais vendidos, é duro se saber que nossos ídolos, que não foram os ídolos de nossos pais, estão mortos e nunca serão para nossos filhos os mesmos mitos que foram para nós.
Para meus sobrinhos adolescentes e jovens( são uma penca!), Jimi Hendrix é algo que está dentro de um acorde em lá bem poeira, ou num mi sétima distorcido num sulco de vinil, já que em CD é raríssimo se ouvir algo do homem que inventou uma linguagem para a guitarra, fez seu timbre deslizar entre canais e botou as bases para o uso de estúdio dentro de um rendimento que ainda pode servir com padrão.
Janis Joplin não passa de uma imagem circense fora dos padrões de beleza e parecida com a mulher de branco que vaga por Ipanema. Dentro do padrão adotado hoje, Sade Adu e Hayley Williams cantam melhor, mais timbradas e sem a voz de lixa de unha tão característica de “Me and Bobby McGee”- a única faixa de Janis que chegou a primeiro na Billboard.
Brian Jones é outro que virou foto. Uma espécie de Noel Rosa do Rock. Se do Feiticeiro da Vila sobraram apenas 30 segundos de imagem, se formos enfileirarmos todas as de Brian, elas darão, no máximo, 40 minutos de vídeo. Para alguém que foi um Rolling Stone fundador da maior banda de rock ainda em atividade, isso é o tudo. O resto é nada. Até Mick Taylor , seu substituto fugaz no grupo têm mais imagens junto com os outros membros que Brian.
Como já diria Mick Jagger em duas oportunidades diferentes: “O Tempo está do meu lado” e “O Tempo espera por Ninguém”. O ano que vêm tem mais.

sábado, 1 de novembro de 2008

De Volta ao Jurassic Park



No final do mês passado, um “Diplodocus Mettalicus” de orígem australiana deu sinais de vida, secretando de suas comissuras um gelo preto que já gerou cinco milhões de cópias em 28 países que foram atingidos pelo clone.
O Monstro não dava sinais de vida há exatos oito anos, num hiato sem precedentes em seu currículo biológico e essa nova aparição o coloca nos primeiros lugares da lista dos mais procurados nas lojas de CDs.
Há 28 anos que isso não acontecia com o ACDC. O último da banda a ser primeiro lugar fora “Back in Black”, quando “You Shook Me All Night Long” chegara a primeiro lugar nos dois lados do Atlântico.
Desde o último dia 20, “Black Ice” já vendeu 780 mil CDs- 180 mil a mais que o CD considerado mais vendido dos sete primeiros meses de 2008. E, indo na contramão, só a WalMart está vendendo o lançamento, tanto nos States quanto na Grã-Bretanha. Nada de Internet, downloads ou tecnologia.
Na MTV, “Rock and Roll Train” está em Heavy Rotation, sendo executado a média de 7 views diárias-nada mal para quem já tem mais de 40 anos de estrada.
O ACDC é algo parecido como o terremoto de um homem só- Angus Young, o escolar treme-terra, com direito a um vudu no final do show. Nada se compara a uma apresentação do grupo, ótimo em estúdio e imbatível ao vivo. Foi a melhor coisa que veio ao RocknRio de 1984 e nunca mais o Brasil ouvirá nada igual aos seus hellsbells.