terça-feira, 7 de outubro de 2008

Olha mais uma lista aí, geeeeeenttiiiiiii

Saiu mais uma lista de Top alguma coisa. Sou fissurado nelas. Quando não passo os olhos por nenhuma, organizo meus tops ten, tops five, seja lá de que coisa for. Adoro! Agora, a lista é composta pelos 500 Melhores Filmes de todos os tempos, feita pela revista “Empire”. Ela é resultado de uma votação que contou com 10 mil leitores, 50 críticos de cinema e 150 cineastas, incluindo Quentin Tarantino e Cameron Crowe( pasmem!)."O poderoso chefão", dirigido por Francis Ford Coppola em 1972, lidera o ranking, qur também está presente mais uma vez entre os dez primeiros da lista, com "Apocalipse Now".
"Indiana Jones - Os caçadores da arca perdida", de Steven Spielberg, vem em segundo lugar. Em terceiro, ficou o quinto episódio de "Star wars", "O império contra-ataca", de Irvin Kershner, lançado em 1980.
O que eu achei engraçado foi a desproporção existente entre os gêneros, já que musicais são ua parcela mínima da lista. Já no caso de trilhas sonoras, realmente os três primeiros tem trilhas impactantes, o quinto, o sétimo, o oitavo, o décimo sexto, o décimo oitavo, o vigésimo terceiro e..........Chega!.
Confira abaixo a lista dos 50 primeiros filmes da eleição.
1. "O podereso chefão", de Francis Ford Coppola (1972)
2. "Indiana Jones Os caçadores da arca perdida", de Steven Spielberg (1981)
3. "Star Wars: O império contra-ataca", de Irvin Kershner (1980)
4. "Um sonho de liberdade", de Frank Darabont (1994)
5. "Tubarão", de Steven Spielberg (1975)
6. "Os bons companheiros", de Martin Scorsese (1990)
7. "Apocalipse Now", de Francis Ford Coppola (1979)
8. "Cantando na chuva", de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)
9. "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino (1994)
10. "Clube da luta", de David Fincher (1999)
A partir do Décimo, vou dar apenas a lista dos filmes que EU gostei. Mantive as colocações da lista original. Lá vão eles e só até ao 50. A lista completa está no site da 'Empire'.
12. "Se meu apartamento falasse", de Billy Wilder (1960)
13. "Chinatown", de Roman Polanski (1974)
14. "Era uma vez no Oeste", de Sergio Leone (1968)
16. "2001: Uma odisséia no espaço", Stanley Kubrick (1968)
17. "Taxi Driver", de Martin Scorsese (1976)
18. "Casablanca", de Michael Curtiz (1942)
20. "Blade Runner", de Ridley Scott (1982)
23. "De volta para o futuro", de Robert Zemeckis (1985)
25. "Três homens em conflito", de Sergio Leone (1967)
26. "Dr. Fantástico", Stanley Kubrick (1964)
27. "Quanto mais quente melhor", de Billy Wilder (1959)
28. "Cidadão Kane", de Orson Welles (1941)
32. "Butch Cassidy", de George Roy Hill (1969)
33. "Laranja mecânica", de Stanley Kubrick (1971)
38. "Fogo contra fogo", de Michael Mann (1995)
39. "Matrix", dos irmãos Wachowski (1999)
40. "Um corpo que cai", de Alfred Hitchcock (1958)
41. "A lista de Schindler", de Steven Spielberg (1993)
45. "Psicose", de Alfred Hitchcock (1960)
46. "Sindicato dos ladrões", de Elia Kazan (1954)
47. "E.T. - O extraterrestre", de Steven Spielberg (1982)
50. "Os sete samurais", de Akira Kurosawa (1954) .
Bye Bye.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Beck to the Future!

O trocadilho infame tem a sua razão de ser, pois o Rock nunca viu um guitarrista mais inventivo e virtuose do que Jeff Beck. Beck, além de ser mito entre colegas e fans, vive essa realidade, num narcisismo exacerbado, sarado e sem muitas diferenças morfológicas entre o Beck da fase Yardbirds e o Beck de hoje, adepto da música instrumental e surpreendente em cada atitude, musical ou pessoal.
Acompanho sua trajetória desde o “Having a Rave Up!”, primeiro LP do Yardbirds lançado aqui- metade em estúdio e metade ao vivo, disco que o consagrou como guitarrista e a Graham Gouldman(“I´m not in Love”) como compositor.
Em minha opinião, seu melhor álbum com os Yardbirds foi o “Hot House of Omagarashid” e o melhor do Jeff Beck Group aquele que tem “Goin Down”, também gravada por Freddie King, num estilo mais vocal do que a de Beck- completamente guitarra e com solos de endoidecer o diabo que apareceu na crossroad e ensinou Robert Johnson a tocar.
Já "Blow by Blow" é a volta por cima onde não foi necessário sacudir nenhuma poeira. Nele, Beck aparece como um jazzista delicado, fazendo os puristas mais estritos corar de vergonha e colocando um Al di Meola no saco, pois sua não-técnica é bem superior aos anos de Gilliard do guitarrista do Return to Forever.
E se você não acredita que o barão conversou com Jeff Beck, ouça” Becks Bolero”( Jimmy Page toca na faixa) e “Jeff´s Boogie”. Depois a gente bate outro papo, tá?

domingo, 5 de outubro de 2008

Farofa Moderna

A Semana chega ao final com as eleições acontecendo hoje e uma má notícia para as gravadoras. Além de se preocupar com a revolução tecnológica, outra crise se avizinha: os contratados estão revoltados com a passividade e a mediocridade as quais a indústria fonográfica vêm fechando negócios e acordos junto à corporações detentoras das novas regras de negócio, principalmente as operadoras, provedores e distribuidoras digitais, Apple inclusive.
Se num passado próximo a Apple Records e Apple Corporation se envolveram em disputas por compra, venda e distribuição de fonogramas, além da disputa pela marca(apple) e pelo logotipo, agora a disputa é outra e por outro ângulo. Artistas,liderados por Robbie Williams querem que as gravadoras britânicas renegociem com eles toda a parte referente a edição musical, direitos autorais e conexos. Querem um percentual maior, sob a alegação de que os direitos estão sendo mal administrados. Ou as gravadoras pagam ou irão enfrentar batalhas judiciais de final imprevisível, já que qualquer contrato pode ser questionado e passível de ser considerado lesivo.
Essa grande revolta é um fato bem marcante, já que parecia que as questões entre Prince e a WEA e Mariah Carey e sua antiga gravadora, da qual havia sido demitida, eram passado remoto e que a paz voltaria a reinar. Ledo engano. Alguns grupos, como RadioHead e R.E.M. , já haviam partido para a própria divulgação pela Internet e agora se juntam a esses dissidentes, levando o caso a cruzar o Atlântico e ir dar uma sacudida no Brill Building.
Outra questão levantada pela galera é a nova relação de interesses entre produtor e consumidor existente no mercado musical, como a venda isolada de fonogramas e a chegada do MP3. Segundo os artistas, a falta de presteza da indústria em se adequar a essas novidades está causando lesões sérias nos direitos de todos em decorrência de processos infindáveis contra consumidores considerados piratas e que não têm nenhum respaldo legal, já que a Suprema Corte Norte-Americana considerou a propriedade intelectual alegada pela indústria fonográfica como abusiva e ferindo o direito do consumidor em dispor de produto já adquirido e pago.
Enquanto lá fora tudo caminha progressivamente para uma rediscussão deses conceitos, aqui no Brasil o retrocesso é a tônica, com a apresentação do PL do Senador Eduardo Azeredo sobre crimes digitais. O PL não diferencia pirataria de pesquisa e tem como escopo a computação, a informática e uma noção de Internet só vista pela assessoria do político mineiro. Pelo PL, o crime organizado e o conumidorsao nivelados por baixo e penalizados como se fossem um só. Nem a China ou a Grã-Bretanha possuem legislações tão restritivas, com um agravante ao PL do Senador: ele transfere ao poder judiciário a defesa de uma alegada propriedade intelectual detida com lucro por corporações, numa forma nebulosa e pela qual essas próprias corporações irão escrever na lei o que é e o que não é crime.
Já no campo artístico, aqueles que lutam contra a política absolutista e monopolista da indústria em relação aos direitos autorais e a revolução tecnológica, sofreram uma derrota com a cooptação de Lobão pela gravadora que reeditou sua obra e lhe arranjou uma vaga de veejay na MTV.Nunca se viu uma defecção tão porca quanto esta. Ninguém mereceu tal coisa.

sábado, 4 de outubro de 2008

VMB2008- Um engano em Três Letras!!!

Apesar da pompa e da circunstância da coisa, em minha opinião pessoal, a MTV podia passar sem isso, já que todo ano a coisa se repete e repetição em demasia é coisa de Titio Silvio, não de Marcelo Adnet e cia.
Como Nirlando Beirão já disse uma vez, existe vida inteligente na MTV além de Marcos Mion. Realmente ele não nasceu para grandes eventos. Existe e faz bem gags em estúdios fechados ou coisas pré-gravadas que podem ser repetidas ad nauseam até o diretor achar que valeu. Errou quem não escalou o Adnet para a função, pois se a coisa tivesse sendo conduzida por ele e sua escada babada(Kiabbo), garanto que o inusitado seria a tônica, já que ele é bom na coisa.
Gostei do show do BLOC. Aquele Afrodescendente(gostaram?) é bom na mis-em-scène e o inglês cósmico não deixa a dever a nenhum hard rocker. O som do grupo me deixou uma impressão pós-Lenny Kravitz bem legal. Já Ben Harper e Vanessa da Mata foram a coisa mais farofa que presenciei nos últimos tempos. Até entregando premiação. Ninguém merece.
Enumerando os “Ninguém-Merece” de ontem : NXZero, Fresno & Chitãozinho & Xororó( com as letras trocadas mesmo. Depois daquelas plásticas?), O Bonde do Rolê, a encenação do final, o “roteiro” performed by Marcos Mion e as kissettes( as menininhas de patins. Ridículas e sem saber o que estavam fazendo alí. Tremendo bacalhau na feijoada).
Enumerando os “Valeu Véiu!! : A Dança do Quadrado, D2, Pitty( ela sempre é do caralho. Que nem a Marina Person), a banda dos sonhos, o “quem fez”( o intérprete pode não ser bom, mas a faixa valeu)e o aquecimento, que foi dez vezes melhor que a apresentação própriamente dita.
Se tu não viu na quinta ou não viu ontem, hoje eles devem repetir a coisa. Eu vi quinta e ontem, só para conferir o que minha sobrinha diz. Segundo ela, o Mion já era. Morreu e não sabe. O lance agora é Madame Mim e Marcelo Adnet. Falando em coisa nova, vou entrar para a comunidade “Estou grávida de Luiz Carlos Prestes e quero ter meu filho no Brasil”. Ela tá bombando no Orkut. Não posso perder essa, maninho!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Falso Brilhante

A criatura não pertence mais ao criador. E agora, por decisão judicial. Essa briga da 98 FM e um certo radialista terminou em mais um hit da parada de fracassos que vêm acometendo sua vida profissional há algum tempo. Desde o tempo em que resolveu criar em vez de apenas copiar.
É bom lembrar que foi um copiador de sucesso. Quando copiou o formato de programação Transamérica, copiou tão bem que a cópia tinha mais audiência do que o original. Já quando foi um he-man cabôclo e teve a força na mão, deixou a mesma escorrer sob os dedos e ele e sócios tiveram um prejuízo danado, tendo sido obrigados a vender a concessão para um rede que toca notícia em vez de música.
E, num passado recente, ao mudar de casa, achou que uma idéia era sua em vez de pertencer aquela que o abrigou longo tempo. Ignorante a respeito de direito autoral, não sabia que existe jurisprudência formada a respeito da propriedade intelectual. Foi obrigado a aceitar um vantajoso acordo e abdicar da propriedade de uma das poucas coisas que criou.
A ilustração diz tudo. Perdeu a idéia, além de ficar com o prestígio chamuscado. Mais um falso brilhante.

Iluminando Minha Imagem

Eu queria fazer de minha vida um palco iluminado. Não fiz e hoje sou palhaço das minhas perdidas ilusões. Meu primeiro hit a figurar na parada de fracassos foi nternacional. O Brasil era pequeno demais. Tanto para mim quanto para o João Stoned. Fui com ele em 1967 Para Noviorque. Levei um Violão DiGiorgio Concerto. Lá, vendê-lo por 800 dólares era mole. E foi o que fizemos. Deu para viver dois meses certinho. Aí começou o perrengue. Nossa ilusão de ser astro de rock foi pro saco junto com os últimos dois dólares e 25 do hamburger e da Coca-Cola que tentou saciar uma fome que aumentava só de pensar na dureza que era nosso futuro imediato.
A grana deu , na estica, certinho para viver os dois meses sómente por uma razão. O Hugo Raposa, outro amigo, já tinha ido uns três meses antes e tinha alugado vaga no apartamento de uma cubana. Raposa era bonitão, ex-P.E., e arrumou logo um caso com a Dolores-esse era o nome da cubana. E, quando nós chegamos em Idlewild( esse era o nome do aeroporto na época), os dois estavam lá nos esperando. Era dezembro e tava fazendo um frio do cão. De lá até a Rua 135, em Manhatthan era chão prá caraca e lá viemos nós quatro de ônibus, até uma estação do metrô que desse para a gente entrar no subway e parar na esquina da sétima, onde tinha uma station.
Prá mim, garotão, tudo era lucro. A gente falava um inglês meio de academia( tinhamos feito o High School no Nelson´s School) e todo mundo via que a gente era mané. Estranja. De fora. Mas foi esse inglês que salvou a gente, burrego de primeira viagem, pois quando a grana acabou, tivemos que procurar algo prá fazer e arrumar um troco para ao menos continuar comendo hamburger, chili e beans na cafeteria da esquina, quando a gente não fazia um supermarket prá Dolores mostrar que sabia fazer uma comida bem parecida com a caseira, já que a comida cubana lembra praca a nossa. Tem até feijão preto nas paradas, mermão! O maço de cigarro era 20 cents. Ninguém bebia. Só um fuminho uma vez ou outra e a cubana arrumava um bom.
Fomo vivendo nessa gangorra até 69. Uma faxina aqui, outra alí. A hora trabalhada pelos sindicatos era 4 dólares e 85 cents. Os gringos filhos da puta pagavam a gente um máximo de 3 dólares e quando eram bonzinhos. Cansei de trabalhar nove horas e no final do dia receber 16 dólares. Dava vontade de chorar, chamar mamãe e o escambau. Fazer o quê?
O John ( já tinha deixado de ser João e a gente acostumou rapidim...) um dia arrumou uma viração de lavar cadaver em funerária israelita. Podia ser goy( o dono da casa não se importava se fosse ou não fosse judeu). Pagavam 100 dólares por dia. Foi lá e voltou em três horas. Não conseguiu comer direito por uns três dias. Teve até pesadelo. Passou até agua raz na mão para tirar a impressão de tocar em corpo morto. E a gangorra fazia a gente compensar no delírio.
Trabalhava-se duro para juntar algum e ir até o Fillmore ver a banda que tivesse em cartaz. Se a coisa fosse boa, como foi o Goodbye Concert do Cream, valia comprar um ácido manêro e ir para lá viajando. Um dia, soubemos na Washington Square que o ônibus do Ken Kesey ia ficar três dias na praça, dando ácido de graça para todos que participassem das trips, dirigidas por um cara chamado Timothy Leary- que a gente e mais alguns nunca tínhamos ouvido falar. “-Timothy? Shit man.....I dont know him...”.
Era só se inscrever numa banca que tava montada ao lado daquele cubo equilibrado no centro da praça.Lá fomos nós quatro( fizemos a cabeça da Dolores)e botamos os nomecitos na lista. Nossa participação durou apenas uma viagem. Dolores não segurou a onda e entrou na maior bad trip, achando que uma barata amarela tava atrás dela o tempo todo. Ela espantava a barata com o pé, mas ela continuava ali. Foram oito horas de eu e John rindo, Hugo puto e Dolores batendo com o pé no chão espantando uma coisa que só ela via.
Mas, as rosas também tem espinhos e um dia, aconteceu. Estávamos faxinando um prédio na Times Square quando a imigração pintou. Fomos em cana. No Green card, no Social Security. Entrei em paranóia. Eu tinha algum guardado exatamente prá uma merda dessa e foi o que fiz. Não tinham apreendido o passaporte, pois eu tava sem ele, só com uma carteira de motorista fajuta de Albany. Comprei passagem e me mandei. Nem esperei o julgamento da coisa.
Voltei prá casa da mamãe, pros meus discos e agora era um outro cara. Vim com a roupa do corpo. Nada. Num trouxe nem um Lp. Apenas as lembranças. E que lembranças........
Por que não escrever sobre elas? “É mesmo, cara! Tu tem jeito.....dá até prá levantar um troco!”................Porque não, né mesmo?...............

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Os Anos 60

Peguei meu pendrive/discoteca , abri a pasta ANOS 60 e botei o Windows Media Player para reproduzir tudo. São 411 faixas escolhidas quase que a dedo, iniciando com “Aquarius”, na interpretação do Fifth Dimension e que, na época, foi um sucessão. “Hair” só foi chegar aqui dez anos atrasado e não fazia mais a cabeça. Valia a pena ser vista, só e somente só. O se e somente se tinha perdido seu prazo de validade lógica, ainda mais naqueles anos iniciais de censura plena.
A segunda faixa do listão é mais condizente com a realidade em que eu vivia, repleta de grupinhos, guitarras e sonhosde ser astro de rock. Brigávamos na escola e na faculdade com a turminha que gostava de Bossa Nova e seu lixo gravitacional. Nós usávamos jeans e camiseta. Eles usavam camisa de ban-lon e calça de tergal. A faixa que tocou? “All day and All of The Night”, com um Kinks raivoso na guitarra de estúdio de Jimmy Page e na letra irônica de Ray Davies, uma espécie de Evandro Mesquita/Patrícia Travassos da época, cortante feito faca.
Falando em jeans, mais tarde- no meio dos ano 70- um grupo de MPB recusou meus serviços de baterista/ percussionista, simplesmente porque eu usava “Calça Lee” e isso era coisa de colonizado. Cmo eu era colonizado mesmo e sabia disso, mandei eles a merda e fiquei no meu som, rockando e rolando com as garotas que pintavam. Prá mim, o que valia era Tim Maia, Gilberto Gil e Raul Seixas. Bossa Nova? Continuava a ser lixo para mim.
Sempre achei João Gilberto qualquer nota, ainda mais depois que ouvi o célebre disco do Barney Kessel com a Julie London e descobri onde é que ele havia aprendido a tocar do jeito que ele toca. Ouvindo Chet Baker descobri onde ele havia aprendido a cantar. Nunca vou chamar aquele chato de gênio. Parafraseando Paulo Francis, Tá com saudade da Bahia? Volta prá lá, uai?
Quando eu terminei de escrever o parágafo acima, a guitarra de Jeff Beck comia solta, acompanhada de Tim Bogerty e Carmine Appice na célebre regravação de “Superstition” de Stevie Wonder, que na sequência teve “Blue Moon”, na interpretação dos Marcels e que ficou célebre na trilha sonora de “American Grafitti”, com Wolfman Jack e tudo o mais o que o filme teve direito. Na época, o fime não foi nenhuma novidade, pois vivi uma história semelhante ao roteiro ao estudar numa escola Americana ( American School, do Rio de Janeiro) e passar por quase tudo aquilo, menos os pegas e carro na estrada, já que sempre gostei de moto, até perder parcialmente os movimentos do braço esquerdo, num acidente sério, já nos anos 80.
Agora o que está tocando é um Elvis(Can´t Help Falling in Love), que nunca fez minha cabeça. Tive discussões homéricas com Raul Seixas e Edith( sua primeira mulher) a respeito do assunto, já que Raul não vivia sem um Elvis. Tinha toda a discografia, além de plagiar algo em suas músicas e nos seus maneirismos. Na sequência, entrou um Chacrinha cantando “Eu Quero Mocotó” de Jorge Ben, numa das poucas gravações que o Velho Guerreiro fez emdisco. O compacto é de 1970 numa gravação ODEON. Indo um pouco mais além, a faixa me trouxe à memória a lembrança de Erlon Chaves, um dos regentes nacionais mais injustiçados da história da cultura Brasileira, que foi obrigado a aceitar ser jurado do programa de Flávio Cavalcanti para poder sobreviver, já que não conseguia ganhar algum com seu talento.
Se eu for usar injustiça como sequência de cena em minha tomada de memória, vários músicos e intérpretes me vêm na lembrança: Roberto e Wilson Simonal, Angelo Antonio(parceiro de Carlos Imperial), Regininha, Orlann Divo, Pedrinho Rodrigues, Ed Lincoln, Sonia Delfino, Peri Ribeiro, Leni Andrade, Don Salvador, Dom Nei, Luiz Antonio, Ed Maciel, Ion Muniz, Vitor Assis Brasil e toda uma cena esquecida e espezinhada por alguns que, vitoriosos, escreveram um registro cultural falho e incompleto do que aconteceu nesses últimos 40 anos. Como é sabido desde o julgamento de Nuremberg, a História é escrita pelos vencedores. Alguém duvida disso?