sexta-feira, 6 de março de 2009

Você iniciaria um blog na web com um post resumindo a carreira de........Rita Cadillac? Tá todo mundo perguntando qual o bicho de porongo que deu na cabeça da Ana Paula Souza( cultura- CartaCapital)para ela se sair com essa. Eu não li, nem cheguei perto, pois o pitéu é destinado exclusivamente aos assinantes do portal para o qual ela escreve.
Na minha visão crítica é como, de repente, Artur Xexéo de beijos e abraços com Ivete Sangalo ou elogiando a forma de escrever da assessoria de comunicação de Caroline Magalhães, neta do “saudoso” ACM.
Acho que estes últimos dias quentíssimos de verão estão prejudicando a fluidez dos vasos comunicantes do cérebro de quem tenta pensar. São 6 e 27 da manhã aqui em BH e eu já estou meio pingando. Meu cão-tadinho!- peludo, anda desassosegado prá frente e prá trás, procurando chão de pedras para deitar sua indolência já que esse calor lembra um pouco aquelas histórias do Art Bunchewald sobre o ditador Africano que gastava o PIB do país importando aparelhos de ar condicionado e corrompia generais e chefes locais com geladeiras, tamanho era o calor que fazia em seu país natal.
Amanhã tem Iron Maiden à noite naquela estrutura de concreto chamada Mineirinho. Imagino que, se fizer amanhã o sol que fez ontem e vai fazer hoje, o concreto vai estar com calor absorvido até demais, o que vai dar para gerar uma temperatura interna de uns 27 graus. Some-se isso mais a massa presente e dá para se imaginar a sauna que a galera vai tomar. Não passo na porta.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Vade Retro Bahianada

Como Carioca preconceituoso que sou(O Brasil é o Rio. O resto é anexo), acho que o finado Paulo Francis estava coberto de razão em afirmar que a Cultura Brasileira estava repleta de Bahianadas. Eles iam para o Rio de Janeiro, faziam sucesso e ficavam cantando “Que Saudades da Bahia” em diversas variações. Tivesse com saudade mesmo, voltasse pra lá, né?
O Rio foi esvaziado pelos militares e por uma praga chamada Leonel Brizola. Os militares realizaram a fusão, que deu nisso que vemos hoje, tendo que aturar um monte de gente falida nas costas. E Brizola abriu as portas da cidade para o bicho, o tráfico e a corrupção, não necessariamente nessa ordem, tornando o que era endêmico e controlado numa vasta epidemia, com manifestações peculiares como o vírus Marcelo Alencar e a bactéria garotinho( não passa disso. É bactéria mesmo). Paulo Francis viveu pouco para ver a tremenda bagunça que o Rio virou, sem chance ou esperança de um Charles Anjo 45 para dar jeito na coisa.
Mas, num passado recente, quando ainda havia grana e poder de decisão no RJ, a s Bahianadas eram mais fortes e atacavam em todas as vertentes. Na minha visão preconceituosa, o pior ataque Bahiano aconteceu no cinema, sintetizado em um nome: Glauber Rocha.
Ontem a noite, zapeando aqui e ali, cheguei ao Canal Brasil, que exibia “A Idade da Terra”. Assisti aquele discurso monocórdico do Carlos Castelo Branco, tomando Whisky e falando sobre a revolução de 64, naquele plano geral que não muda desesperadoramente, cortando para aquelas cenas patéticas de Maurício do Vale em Brasília, num coleção de “shots” que só deveriam fazer sentido na cabeça lisérgica e derretida do realizador.
Fiquei meio puto, desliguei tudo e fui ao banheiro, pensando, para chegar a uma conclusão meio doida, mas que na minha visão de velho preconceituoso, faz sentido. Glauber era um mal necessário para os militares. Eles o suportavam pois Glauber significava estéticamente uma abertura cultural com visões políticas estruturais de construção de uma nova sociedade, como todos os libertários pensavam naquela época histórica. Ser adepto de novos conceitos era ser moderno. Glauber era moderno. Os Militares queriam ser modernos dentro de sua política de segurança e desenvolvimento. Daí os pontos de contato entre Glauber e Golberi. Daí as laudações que o deixaram sozinho num terreno meio perigoso, que derivaram em uma luta com a esquerda intelectual, que, a partir do elogio a Golberi, começou achar a obra de Glauber uma bahianada meio irracional.
Ao elogiar as reservas de mercado, Glauber também encontrou alguma resistência pois o empresariado mais consciente tinha noção que a providência ia acabar com a competitividade e a concorrência, como de fato aconteceu anos mais tarde e até hoje sofremos com isso econômicamente.
Não existe outra explicação para Glauber ter financiamento em produções onde não havia roteiro, nem storyboard, nada. Havia apenas uma idéia na cabeça de Gláuber e uma câmera na mão dos outros, já que Glauber era tão alucinado que nem segurar a câmera ele conseguiria. A grana que Glauber arrecadava para filmar seu universo devia ser liberada via “ordens superiores”. Investir em Glauber era jogar dinheiro fora. “Cabeças Cortadas” é um grande exemplo.
Voltando a Bahia, devemos sua anexação ao território do país a um Mineiro, José Bonifácio, que foi o artífice da vitória contra os Portugueses em Salvador e a conseqüente retirada das tropas portuguesas da Bahia de Todos os Santos, que teve seu ápice no tratado de 1825. Assim, graças ao Patriarca da Independência temos tudo isso para nos infernizar, desde ACM e seu legado até João Gilberto, passando por Jorge Amado, Glauber Rocha e indo até a Axé Music. Raul Seixas nasceu lá por acidente.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Meu Querido Diário - Data Estelar "N"

O grande lance da semana continua a ser a chegada da Donzela de Ferro à BH. Promoções pra lá, promocinhas pra cá, ta todo mundo querendo pegar carona nessa possibilidade única de um verdadeiro monstro do Heavy Metal dar as caras na cidade nesse 2009 que teve início.
Depois, teremos uma dupla de atrações meio farofa, mas que deverá atrair algum público. É a excursão mix do Sepultura com o Angra, mas esses dois eu dispenso. Não tenho muito saco para headbanger tupiniquim cantando em inglês cósmico.
Quanto ao Iron, realmente eu gostaria de ir vê-los, mas o local e as condições me desestimulam totalmente, já que no Mineirinho você fica completamente exposto, além do som sempre ficar uma merda. Realmente os deméritos fazem minha ausência preencher a lacuna que sobra. Prefiro ir comer um feijão no bar do Careca.
Descobri uma loja de CDs segmentada aqui em BH – a “Acústica”- e vou lá dar uma olhada ainda hoje. Depois eu falo dela pra galera, já que ela aceita encomenda pela web. Abração.

terça-feira, 3 de março de 2009

Corrigindo o Besteirol

Tão vendo? Auxílio Luxuoso é isso! O resto é merda, maninho! Primeiro foi a Helena, que me mandou uma foto do vinil que o Carlos Lee registrou na Musidisc sob a produção do Durval Ferreira. Depois o Áureo, que fez uma correção, pois eu coloquei o nome do pai em lugar do nome do filho. No caso Amiden, troquei Jorge por Jamil. Jamil na verdade era o pai de Jorge Amiden- Guitarrista de “O Terço” e que gravou solo uma das músicas mais legais daquele período- “Do Zero Adiante”, num compacto RCA com o qual concorreu a um daqueles n festivais que assolaram a mídia.
Jamil Amiden foi uma das vítimas da repressão, tendo sido cassado nos anos 60. Fez um ressurgimento com a chegada de Brizola, mas foi envolvido numa série de denúncias nunca apuradas.
Helena tem um blog chamado “O Rio em Disco”, com capinhas da Música Brasileira que retratam a cidade maravilhosa. Lá existe de tudo e vale a pena dar uma olhada daquelas. Quanto ao Áureo, é um Veneziano amigo, já que não é anônimo.
Agradeço aos dois e aos meus parcos leitores por interagirem comigo, meio descabeçado. O Áureo ta certo. Redijo sem nem processar direito o pensamento. É coisa do momento, sabia? Com a ajuda de vocês, como foi a tua em particular, isso um dia passará. Como já diria Pedro Juan Gutierrez, nada como terminar um período com título de bolero barato.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Enterrados Vivos

Um anônimo veneziano direto de Salvador me mandou uma correspondência assinalando que Carleba, baterista da formação original dos Panteras, está enterrado vivo em Salvador, vivendo bem e, no mínimo, fazendo alguma coisa que não tenha nada a ver com Rock and Roll. Se tiver fazendo música, deve ser uma bola fora qualquer dessas vertentes da bunda music, batendo lata no acompanhamento de um trio elétrico qualquer que roda o circuito, dá uma grana no carnaval e depois passa o ano todo participando de micaretas até na lua, em feira de gado no interior, etc e queijandos.
Não é só Carleba que é enterrado vivo. Acredito que o mais famoso deles seja Geraldo Vandré, que abjurou tudo numa apostasia musical daquelas, tentou algumas voltas e todas em vez de ser por cima foram por baixo e depressivas.
Outra enterrada viva é Ana Maria Vale, ex-mulher do autor de “Samba de Verão” e que pirou na trip dos anos 70 como vocalista do “Rock Ebó”- um dos muitos grupos de Baioque(Rock bahiano) que surgiram na época e que tinha como baterista quem? O Carleba citado acima! Faltam três integrantes apenas para que o “Rock Ebó” seja considerado o primeiro grupo da vertente zumbi nacional- repleto de enterrados vivos, he!he!he!
Mais enterrados vivos? Gerson Huck e Huguinho(A Fenda), Paulo e Cláudio(Paulo, Cláudio & Maurício), Diana & Stul, Equipe Mercado, Carlos Lee, Jamil Amiden, José Mauro, Piti e tantos outros que sentaram a beira do caminho para ver a banda passar e se perderam nesse mesmo caminho de pedras, não muito retilíneo e que sempre prega peças àqueles que o percorrem.

Matar ou Morrer

A violência desse final de semana não aconteceu só na TV, onde “Tropa de Choque” foi exibido sábado e domingo em dois Telecines diferentes. Aconteceu também com o ex-baterista Marcelo Yukka, que foi atacado novamente perto do local onde fora baleado e ficara paraplégico. Na Bahia, um PM e um cara não identificado ameaçaram a torcida de um time com armas de fogo e, como sempre acontece, nas estradas de rodagem, a imprudência matou mais que a bandidagem.
Quem viu pânico ontem deve ter adorado o “momento Amy Winehouse”, com o sósia maquilado babando de raiva e mostrando como a Amy trata as questões simples do dia a dia.
Amy, Yukka, Cobain, Brian Jones e muitos outros- famosos ou quase famosos – foram ou são, diáriamente, vítimas e alvos de uma sociedade violenta, que sugere um trato violento entre seus pares, mas, num paradoxo freudiano, cobra boa vizinhança, sobriedade e temperança de todos.
A mentira no trato social, está institucionalizada. Não só aqui, mas em todo o planeta. A mídia mente, o vizinho do lado mente, todos mentem. Sempre levam vantagem em tudo. Perante eles, a sociedade toda é constituída de Zés Manés nascidos em Niterói, que prestam vassalagem a eles, espertos. Particularizando ou generalizando, mente-se por despeito, por inferioridade e por inveja. Se a inveja é uma merda( vide plástico de parabrisa), imagine a mentira?
Mentira e violência andam de braços dados. Uma invasão de terras, feitas violentamente pelo MST, acontece por causa da mentira que é a reforma agrária. As ocupações de prédios nas grandes cidades e as conseqüentes desocupações, autorizadas pela justiça e feita com violência pelo poder de polícia acontecem por causa da mentira que é o programa da casa própria.
Segundo a lógica formal, ninguém mente. Todos se utilizam de todos os meios possíveis para defender seus pontos de vista. Sejam eles o suicida, o agressor ou a vítima. Cada um demonstra a seu modo, o desagrado com o status quo. Pena que a mídia e o poder não tenham essa imparcialidade. Daqui há cinco dias, teremos outro final de semana. Algum dia nós ainda vamos nos acostumar com essa rotina.

domingo, 1 de março de 2009

Mondo Sinistro

Ver TV nesse patropi é um exercício físico. Zapear é a palavra de ordem e, exercendo esse mister, eu assisti ontem a uma parte do documentário sobre o heavy metal da série “Seven Years Rock”(acho que é isso mesmo) do canal VH1.
Guardando as devidas proporções, o que aconteceu com o Black Sabbath foi o mesmo que aconteceu com o nativo RPM, demonstrando que fama e falta de senso, misturada a muita facilidade sexual e drogas pesadas acabam com a batida de qualquer rock and roll.
Já o lance de comprar penduricalhos e colares em lojas de fetiche(leia-se Judas Priest) para compor personagens eu achei ótimo!- Uma vez o Gene Simmons assinalou que aquela bota horrível que ele customizou fora comprada numa loja de apetrechos para travestis no Queens.- Esse é o Mondo Metal- Ah!Ah!Ah!
Terminei a noite de uma forma bem violenta, assistindo a “Tropa de Choque”. Na época em que as cópias correram o mundo, brochei geral e não vi. Fui ver ontem e confesso que barbarizei, pois acredito que aquilo que a gente assiste não é um pentelhésimo por trás da verdade do BOPE, CORE e outras formas que a autoridade inventou para espezinhar favelado. Guerrilha Urbana é isso, maninho. Quem faz trato com o lado errado tem mais é que se fuder. Fazer o quê?